Blogues: experiência portuguesa

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Introdução
2. Blogues
2.1 Evolução histórica
2.2. Definição
2.3. Tipificação
3. Métodos e Materiais
3.1. Constituição da Amostra
3.2. Instrumentos utilizados
4. Resultados
5. Conclusões
6. Referências Bibliográficas

Introdução

Os blogues e os seus editores apresentam-se hoje em dia, como um fascinante objecto de estudo. Em pouco mais de 7 anos assistimos ao aparecimento e massificação global deste fantástico e democrático fenómeno que são os blogues.

Actualmente, qualquer pessoa, independentemente da sua cultura e dos seus conhecimentos informáticos pode criar o seu próprio weblogue, de uma forma totalmente instantânea e gratuita. Por exemplo, no Blogger, após uma simples configuração inicial, para se proceder à actualização de um blogue, basta saber fazer uma coisa tão simples como enviar um email com o respectivo texto.

O presente estudo pretende ser uma primeira caracterização do fenómeno dos blogues em Portugal, com particular enfoque nas actividades de blogueiro.

2. Blogues

2.1 Evolução histórica

Nos últimos anos temos assistido ao aparecimento e crescimento exponencial de uma nova forma de comunicar assincronamente pela Internet que são os blogues ou weblogues.

O Technorati (http://www.technorati.com/), um web site com uma poderosa ferramenta que permite pesquisar links dentro de blogues de todo o mundo, no dia 5 de Fevereiro de 2005, reconhecia a existência de 6.746.125 blogues. De acordo com Vanda Ferreira (2004), segundo “dados do Weblog.com.pt – uma espécie de portal dos weblogues portugueses – gerido pela equipa de Paulo e Guida Querido e Luís Enes, existem 1.147 weblogues em Portugal (dados do final de Outubro de 2004)”. Em Fevereiro de 2005, a lista de blogues portugueses produzida a partir dos dados da Technorati, no Weblog.com.pt, apresentam mais de 1.800 registos.

Segundo alguns autores os blogues surgiram em 1997, através do conceito de Weblog, criado por Jorn Barger em Dezembro de 1997, a partir das palavras “web” (Internet) e “log” (registo). No entanto, segundo Dave Winer (2002) o primeiro weblogue criado foi o primeiro web site , http://info.cern.ch/, criado por Tim Berners-Lee no CERN – European Organization for Nuclear Research. Esta página funcionava como um apontador, no qual Tim Berners-Lee referenciava os novos web sites que ião surgindo na World Wide Web. Felizmente o conteúdo deste web site foi arquivado pelo World Wide Web Consortium em http://www.w3.org/History/19921103-hypertext/
hypertext/WWW/News/9201.html
.

Posteriormente em 1993 surgiram as páginas “What’s New” do NCSA – National Center for Supercomputing Applications (http://archive.ncsa.uiuc.edu/SDG/Software/Mosaic/
Docs/old-whats-new/whats-new-0693.html
), e da Netscape, que seria o maior blogue no ar entre 1993 e 1996 (http://wp.netscape.com/home/whatsnew/). Nestas duas páginas “What’s New” já podemos encontrar duas características principais dos weblogues, a datação das entradas e a sua colocação por ordem inversa.

Em 1996 e 1997 surgem os primeiros blogues pessoais como o Scripting News de Dave Winer, o Robot Wisdom de Jorn Barger, o Tomalak’s Realm ou o CamWorld.

Em 1999, de acordo com Rebecca Blood (2000), existiam 23 weblogues referenciados. Nesse mesmo ano, numa altura em que a comunidade de blogues começava a aumentar, Peter Merholz defendeu que se deveria pronunciar “wee-blog”, por se tratar de um meio para comunidades. Este acontecimento acabou por conduzir à utilização “abreviada” da palavra “blog” e à referência do seu editor como o “blogger”.

Em Portugal, tanto se utiliza a grafia “weblogue” como “blogue”, sendo os seus editores apelidados de “blogueiros” ou “bloguistas”.

A partir de 1999, o número de weblogues foi aumentando cada vez mais, sobretudo graças ao aparecimento de novas ferramentas de publicações de conteúdos, como o “blogger” da Pyra, que permitiram que qualquer pessoa, sem ter necessidade de quaisquer conhecimentos de HTML, pudesse ter o seu próprio blogue na “World Wide Web”. Tal como refere Recuero (2003) “O conhecimento da linguagem HTML era uma barreira constante para o aumento do número de usuários, que só foi quebrada com o surgimento das ferramentas dos sistemas baseados na Web, como o Blogger e o Groksoup, lançados pela Pyra em Agosto de 1999.”

Segundo Blood (2000), os blogues originais eram um misto de links, comentários e pensamentos pessoais/ensaios. Com a entrada em cena do Blogger, em 1999, começaram a aparecer inúmeros blogues, actualizados várias vezes por dia, cujo tema central não eram os pensamentos do “blogueiro”, mas sim, algo que ele tinha reparado no seu local de trabalho, notas sobre o seu fim-de-semana ou, por exemplo, reflexões sobre um determinado assunto. Os links dentro dos blogues levavam-nos para outros blogues, nos quais havia alguma referência ao tema abordado ou nos quais existia simplesmente também um link para o blogue de partida.

A diferença entre o conteúdo dos blogues originais, anteriores a 1999 e os blogues mais recentes, posteriores ao aparecimento do Blogger, conduzem-nos a uma questão chave, qual a correcta definição de blogue?

2.2. Definição

Basta fazermos uma pesquisa rápida na Internet para descobrirmos uma multiplicidade de definições do conceito weblogue.

De acordo com António Granado (2003), “um weblog é uma página com entradas datadas que aparecem pela ordem inversa em que foram escritas”. Na mesma linha de pensamento, Vanda Ferreira (2004) apresenta os weblogues como “uma espécie de diário pessoal ou colectivo publicado na Internet e que permitem a troca de comentários interactivos, imagens e sons através de mensagens de correio electrónico publicados em listas de actualidade decrescente. No topo, aparecem os mais recentes. No fim, os mais antigos.”, tal como Hugh Hewitt (2004), segundo o qual ‘Blog’ é a abreviatura de ‘Web log’ – uma página on-line com entradas datadas, mantido por um ou mais autor/editor, com links e comentários – “’Blog’ is short for ‘Web log’ – an online site with time-dated postings, maintained by one or more posters, that features links and commentary.” (Hewitt, 2004). Jane Perrone num artigo da versão online do jornal inglês “The Guardian” refere os weblogues como sendo, literalmente, um “log” (registo) na Internet – uma página online, com um formato de um diário, no qual o autor (o “blogger”) coloca links para outras páginas que ele/ela considerem interessantes, numa ordem cronológica inversa. – “A weblog is, literally, a “log” of the web – a diary-style site, in which the author (a “blogger”) links to other web pages he or she finds interesting using entries posted in reverse chronological order.” (Perrone, 2004)

Por seu lado, Dave Winer (2002) apresenta-nos uma definição mais elaborada assente em algumas ideias chaves: um blogue aponta para artigos existentes algures na Internet; é uma viagem contínua, com um guia humano que vamos conhecendo ao longo da “jornada”; existe um sentimento de companheirismo entre os autores dos blogues, que se revela por exemplo através do apontamento recíproco de blogues. – “Weblogs are often-updated sites that point to articles elsewhere on the web, often with comments, and to on-site articles. A weblog is kind of a continual tour, with a human guide who you get to know. There are many guides to choose from, each develops an audience, and there’s also camaraderie and politics between the people who run weblogs, they point to each other, in all kinds of structures, graphs, loops, etc.” (Winer, 2002)

Dave Winer (2001) identifica mesmo os blogues como sendo “Personal Web Publishing Communities” – Comunidades de publicação Web pessoais, de acordo com 4 princípios fundamentais:

Em primeiro lugar “A weblog is personal” – um weblogue é pessoal, uma vez que é da autoria de uma pessoa e não de uma organização. Os blogues apresentam-nos a personalidade do seu autor, razão pela qual são interessantes;

“A weblog is on the web” – um blogue é uma página online, não é um suporte impresso. Pode ser actualizada com frequência, com um custo de produção muito baixo e é acessível através de um simples browser de Internet;

“A weblog is published” – as palavras surgem através dos templates, num processo automatizado de publicação, onde também há a possibilidade de usar ferramentas avançadas de escrita. Ou seja a tecnologia aplica-se aos weblogs, publicando a tecnologia;

Por último, “a weblog is part of communities” – os blogues pertencem a comunidades. Nenhum blogue existe sozinho, os weblogues são relativos a outros blogues e ao mundo. O mesmo pode ser dito da maioria de weblogs que ganham audiências, eles associam pessoas com os mesmos interesses através da Internet.

Rebecca Blood (2002) associa à sua definição, as potencialidades dos weblogues. Segundo Blood, um weblogue é uma forma e um formato: um web site actualizado constantemente contendo entradas disponibilizadas numa ordem cronológica inversa. No entanto ainda, de acordo com Blood, esta forma é infinitamente maleável, pelo que os blogues têm um enorme potencial, tanto para utilização pessoal/privada, como para utilização profissional. Mantidos facilmente, via computador ou dispositivos móveis, os weblogues estão a organizar negócios, a criar e fortalecer laços sociais e a filtrar a Internet, ao mesmo tempo que fornecem uma plataforma para que qualquer pessoa publique a sua visão do mundo.

Nesta linha de pensamento de múltiplas potencialidades dos blogues, Adam L. Penenberg refere-se aos blogues como a revolução da disseminação do capital intelectual – “Rather, it’s a revolution in the dissemination of intellectual capital.” (Penenberg, 2004) e como o modelo socialista de troca de informação, uma vez que é gratuito, de fácil utilização, acessível por todos quantos tenham acesso à Intenet – “Think of it as the socialist model for informational Exchange.” (Penenberg, 2004).

António Granado (citado em Ferreira, 2004), considera que os blogues “são uma forma de expressão individual dos jornalistas e dos públicos que os criam porque gostam de escrever, expressar opiniões que acham que valem a pena, mas que as pessoas não dizem nos jornais”. Esta ideia é reforçada por Rogério Santos (citado em Ferreira, 2004), os blogues “são um espaço de afirmação pessoal, individual dos autores, de criação de um novo espaço. Há a ideia de que os blogueiros são apenas jornalistas; não são. Mas Rogério Santos (citado em Ferreira, 2004) vai mesmo mais longe ao afirmar que nos blogues “torna-se público o que é privado, uma história quotidiana, um pensamento. São um meio de expressão pessoal, porque usam apenas uma ferramenta simples de comunicação pessoal, íntima. Os mais conhecidos são os dos jornalistas, mas apenas porque têm uma repercussão pública”.

Podemos então falar dos blogues como diários de bordo, nos quais os seus autores vão expressando os seus pensamentos constantemente, alguns, várias vezes por dia, ocasionalmente partilhando links para artigos ou itens multimédia, que consideram pertinentes, em outros blogs ou em web sites tradicionais. Mas os blogues não são diários de bordo secretos, íntimos, privados. Os blogues partilham informação privada a todos os quantos os queiram visitar, funcionando mesmo qual jornal de parede, que permitia a leitura a todos quantos passassem junto deste. Outra característica importante dos blogues é a criação de comunidades e/ou amizades. Os blogueiros adoptam um sentimento de comunidade ao referirem e reagirem aos blogues que lêem com frequência, sendo a sua barra lateral uma afirmação da tribo à qual querem pertencer. Podemos mesmo então falar dos blogues como as novas tertúlias de amigos, grupos de discussão, nos quais as pessoas partilham assuntos de discussão através de comentários e da partilha do debate de temas particulares entre blogues.

2.3. Tipificação

A primeira tipificação que se pode fazer dos blogues é entre generalistas e temáticos. Os primeiros são blogues bastante abrangentes, que não se especializaram num determinado tema. Por oposição, os temáticos são blogues sobre uma determinada área, pintura, fotografia, cinema, etc.

De acordo com António Granada (citado em Ferreira, 2004) “Faltam em Portugal, weblogues temáticos, especializados, onde as pessoas vão aprender alguma coisa”.

Tratando-se um acontecimento ainda muito recente, não existe uma tipificação de blogues por área de especialização, motivo pelo qual Rogério Santos (citado em Ferreira, 2004) «na tentativa de organização dos weblogues por tipo/área de especialização, Rogério Santos distingue os “repetidores ou referenciadores”, que se dedicam a recolher e reproduzirem artigos e trabalhos considerados relevantes para o tema do weblogue, por exemplo, o “Lua”, os “sinaleiros”, que procuram e assinalam as matérias propostas com destaque para as opiniões que apareçam na sua sequência, sendo que têm mais hiperligações e maior grau de interactividade, por exemplo, o “PontoMedia” e os “produtores”, resultantes dos autores que os criam e alimentam com reflexões, poemas ou fotografias, por exemplo, o “Abrupto”, “Barnabé” ou o “Puta de Vida”, entre outros.»

George Siemens, em 2002, classificava os blogues em onze categorias distintas: Partilha e gestão de conhecimento; Serviços de apoio ao Cliente; Jornalismo interactivo; Comunicação; Diários Pessoais; Aprendizagem; Marketing Pessoal; Reformas sociais; Comunidades; Diários de experiências; e por último Contadores de histórias.

3. Métodos e Materiais

3.1. Constituição da Amostra

Tendo em consideração que não existe um web site com o registo de todos os blogues existentes em Portugal, optei por consultar o Weblog.com.pt, mais precisamente a sub-página “blogómetro”, a qual apresenta a lista dos blogues mais visitada no dia anterior. Esta lista não só apresenta blogues do Weblog.com.pt, mas todos os blogues portugueses que se inscrevam.

Tendo por base esta lista, o critério de constituição da amostra foi a selecção dos 100 blogues mais visitados no dia 19 de Janeiro de 2005.

3.2. Instrumentos utilizados

De forma a atingir o propósito apresentado na Introdução, elaborei um questionário com 27 perguntas, que posteriormente foi transformado num formulário Web, suportado por uma base de dados MySql, e publicado no endereço http://vds-278117.amen-pro.com/blog.php na Internet.

Para se proceder ao preenchimento dos questionários, foi enviado um email ao editor (ou a um dos editores, caso se tratasse de um blogue com vários editores) de cada blogue participante da amostra, solicitando a sua colaboração para a realização deste estudo, através do preenchimento do referido questionário.

Tendo obtido 99 respostas ao questionário, a taxa de retorno deste estudo foi de 99%, o que é uma taxa bastante elevada, que permite considerar os seus resultados válidos.

4. Resultados

4.1. Data de criação do blogue:

Tal como já foi referido anteriormente, em Portugal, os weblogues ganharam expressão sobretudo desde 2003. De acordo com a amostra constituída para este estudo, 41,4% dos blogues foram criados em 2003 e 26,3% em 2004. Apenas 4% dos blogues foram criados antes de 2003, 2% em 2001 e 2002.

Gráfico 1.
Percentagens de blogues criados, por ano
Percentagem de blogues criados, por ano

4.2. Categoria do blogue

De acordo com os resultados deste estudo, 20,2% dos blogues não são categorizados numa categoria particular, sendo classificados como “Gerais”. As categorias seguintes mais relevantes são “Pessoal” com 14,1%, “Humor” com 9,1%, “Política” com 7,1% e “Comentários” e “Sexo” com 5,1% cada uma.

4.3. Actualização dos blogues

Como era expectável, a esmagadora maioria dos blogueiros (85,9%) afirma actualizar os seus blogues pelo menos uma vez por dia, sendo que 26,3% afirma executá-lo várias vezes por dia.

Gráfico 2.
Frequência de actualização dos blogues

A maioria dos blogueiros (76,8%) despende mais de 30 minutos por dia para as actualizações do seu blogue. 27,3% afirma necessitar de pelo menos uma hora diária, 14,1% entre uma hora e 2 horas e mais de 5% (5,1%) mais de 2 horas.

Gráfico 3.
Tempo médio dispendido para a actualização dos blogues
grafico2.jpg

Além do tempo dispendido pelos blogueiros para a actualização dos seus blogues, a maioria (60,6%) visita o seu blogue várias vezes por dia, enquanto 38,4% visita-o diariamente.

Uma das principais características dos blogues é permitirem que os seus leitores escrevam comentários. Questionados sobre a frequência com que lêem os comentários introduzidos nos seus blogues, quase 90% (89,9%) dos blogueiros afirmam lerem-nos diariamente, sendo que 44,4% afirmam fazê-lo várias vezes por dia.

Gráfico 4.
Frequência de leitura dos comentários dos blogues

De acordo com este estudo, apenas 10,1% dos blogueiros não respondem aos comentários colocados nos seus posts, 37,4% afirmam responder ocasionalmente, 31,3% frequentemente e 18,2% respondem a todos os comentários colocados.

4.4. Leitura assídua de outros blogues

Como seria de esperar, tendo em conta o espírito de comunidade dos blogues, 97% dos blogueiros apresentam-se como leitores assíduos de outros blogues, sendo que 79,8% afirma comentar posts de outros blogues.

Nesta perspectiva, a maioria dos blogueiros (64%) despendem mais de uma hora nas leituras e possíveis comentários a outros blogues. Apenas 36,4% diz despender menos de 30 minutos.

4.5. Blogues generalistas vs temáticos

Segundo os resultados deste estudo, 76% dos blogueiros consideram os blogues generalistas e apenas 24% os consideram temáticos.

4.6. Blogues temáticos mais apreciados

Relativamente à 1.ª preferência, as categorias de blogues mais apreciados são “Política” com 18,2%, “Humor” com 14,1%, “Arte” com 7,1%, “Literatura” com 7,1% e “Pessoal” com 6,1%.

Em relação à segunda escolha, as principais categorias repetem-se, uma vez que as categorias mais votadas são “Política” com 14,1%, “Humor” com 10,1%, “Desporto” e “Literatura” com 7,1% e “Cinema” com 5,1%.

Na terceira preferência as principais categorias são “Humor” e “Política” com 8,1%, “Pessoal” com 7,1% e “Arte” e “Poesia” com 6,1%.

4.7. Blogues preferidos dos blogueiros

Tendo em consideração a multiplicidade de blogues e de temas abordados por estes, não existe um blogue que se destaque dos outros como sendo o blogue preferido dos blogueiros.

Na verdade, os blogues que foram referidos mais vezes como os preferidos, como são o caso do “Blasfémias” (http://ablasfemia.blogspot.com/), o “Blogotinha” (http://blogotinha.blogspot.com/), o “Gato Fedorento” (http://gatofedorento.blogspot.com/), o “Terceiro Anel” (http://terceiroanel.weblog.com.pt/), o “Os tempos que correm” (http://valedealmeida.blogspot.com/) e o “Webcedário” (http://webcedario.blogspot.com/) apenas o foram por 3 vezes.

Mais de 80% dos blogueiros (84,8%) afirmam visitar o seu blogue preferido pelo menos uma vez por dia, 59,6% uma vez e 25,3% várias vezes por dia.

No entanto, apenas 27,3% dos blogueiros afirmam comentar os posts do seu blogue preferido diariamente e 6,1% várias vezes por dia. A grande maioria, 41,4% apenas comenta o seu blogue preferido ocasionalmente.

Nesta perspectiva, a maioria dos blogueiros (33,3%) despende menos de 15 minutos na leitura e possíveis comentários ao seu blogue preferido, 24,2% despende 15 minutos e 21,2% despende 30 minutos.

4.8. Actividade de blogueiro

Segundo o Gráfico 5, a maioria dos participantes neste estudo é blogueiro há pelo menos 1 ano e 28,3% há pelo menos 2 anos.

Gráfico 5.
Tempo de actividade de blogueiro
grafico4.jpg

Relativamente à causa que os levou a iniciarem-se nestas lides, 44,4% dos blogueiros apontam os amigos e 18,2% a leitura de jornais, sendo que 31,3% não se identifica com as causas referenciadas neste estudo, afirmando ter sido outra a causa para terem começado a blogar. Esta questão deverá ser tida em conta em futuros estudos de forma a completar os resultados do presente estudo.

Apesar de 41,4% dos blogueiros afirmarem apenas participarem como editor num blogue, a maioria (57,6%) é editor de no mínimo 2 blogues, sendo que 27,3% afirma participar em 2 blogues, 19,2% em 3 blogues, 2% em 4 blogues, 5,1% em 5 e 4% em mais do que 5 blogues.

Entre as actividades de blogar, ir ao cinema, ler, ouvir música, passear, praticar desporto, sair com os amigos e ver televisão, 8,1% dos blogueiros colocam a actividade de blogar em 1.º lugar, 15,2% em 2.º, 20,2% em 3.º, 16,2% em 4.º e 32,3% em 5.º lugar.

A grande maioria dos blogueiros (64,6%) afirma nunca ter participado num encontro de blogues.

Gráfico 6.
Participação em encontros de blogueiros
grafico5.jpg

4.9. Blogues: fenómeno passageiro

A esmagadora maioria dos blogueiros, 92,9% considera que os blogues não são um fenómeno passageiro, mas algo que veio para ficar por muitos e longos anos.

4.10. Caracterização da amostra

Por último, resta-nos caracterizar a amostra deste estudo. Antes de mais, 71,7% dos participantes neste questionário são do sexo masculino, enquanto 28,3% são do sexo feminino. Relativamente aos escalões etários, não existe nenhum que se destaque em particular como podemos constatar pelo Gráfico 7. No entanto é curioso que a grande maioria dos blogueiros (67,7%) têm menos de 40 anos. Em relação à actividade profissional e apesar da lista extensa de profissões disponíveis no questionário, uma grande percentagem dos blogueiros 31,3% indicou a sua profissão como “Outras”, demonstrando que a sua profissão não fazia parte da lista disponível. De seguida 15,2% dos blogueiros afirmaram que as suas profissões se enquadravam na área do “Ensino e Formação”, 5,1% afirmavam serem jornalistas, bem como, em igual percentagem serem informáticos.

Gráfico 7.
Distribuição dos blogueiros por escalões etários

Conclusões

O presente estudo não pretende ser uma análise aprofundada ao fenómeno dos blogues, mas apenas um ponto de partida, um primeiro estudo que lance a discussão sobre esta temática.

Tal como foi possível constatar neste estudo, nomeadamente, pela resposta dada pelos blogueiros, os blogues não são um fenómeno passageiro, uma moda, mas sim uma nova forma de expressão que veio para ficar. Quer as últimas eleições americanas, Bush vs Kerry, quer as actuais eleições legislativas portuguesas são um claro exemplo da importância atribuída a este fenómeno, a avaliar pelos inúmeros blogues criados por políticos, desde a dissolução da Assembleia da República pelo Sr. Presidente Jorge Sampaio, como o blogue da Dr.ª Helena Lopes da Costa, do Dr. Morais Sarmento ou do Dr. António José Seguro.

Estamos portanto perante uma nova forma de comunicar, uma nova forma de expressão, totalmente livre. Estamos perante diários de bordo, da própria vida, nos quais as pessoas nos dão a conhecer a sua personalidade, partilhando momentos da sua vida, pensamentos e outras reflexões.

No entanto, apesar da componente narcisista dos blogues, o umbiguismo referido por António Granado (citado em Ferreira, 2004), 97% dos blogueiros admitiu visitar e ler diariamente outros blogues e 79,8% afirmaram comentar entradas de outros blogues. Podemos então afirmar, sem qualquer dúvida, que estamos perante um comunidade, ou melhor dizendo várias comunidades, unidas em torno de interesses comuns.

Mas, a verdade é que por enquanto ainda estamos perante comunidades essencialmente virtuais, uma vez que 64,6% dos participantes no questionário deste estudo afirmou nunca ter participado em encontros de blogueiros. Provavelmente este facto deriva do fenómeno dos blogues em Portugal ainda ser algo recente.

Neste sentido, apenas os próximos anos nos poderão ajudar a compreender de uma forma mais aprofundada este interessante fenómeno, que apenas agora começa a dar os primeiros passos em Portugal. Só no futuro poderemos compreender qual o papel que os blogues irão desempenhar perante os tradicionais órgãos de comunicação social, enquanto espaços privilegiados de liberdade de expressão.

Referências Bibliográficas

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Granado, A. (2003). Ponto Media – Discussão sobre o que são weblogs. Recuperado em 2005, Fevereiro 3, de http://ciberjornalismo.com/oquesaoweblogs.htm

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