Resumo da SHiFT

SHiFT08 closing session

De uma forma muito directa e resumida, diria que foram 3 dias excelentes, com mais de 10 workshops, 50 sessões e cerca de 250 participantes, provenientes de 12 países. Um enorme sucesso.

Os meus parabéns a toda a organização, comandada pelo Pedro Custódio. Na minha opinião fizeram um trabalho brutal, que merece ser reconhecido e elogiado. Venha a SHiFT09.

Quem não teve hipótese de estar presente na SHiFT08, pode ver as inúmeras fotos existentes no Flickr com a tag SHiFT08, ou consultar as apresentações de algumas sessões, que começar a estarem disponíveis no SlideShare.

Por último, deixo-vos o vídeo final da SHiFT.

Conferência Creative Commons

Creative Commons

Tal como já tinha sido anunciado nos últimos dias em diversos blogs (B2OB, Zone41, entre outros), realizou-se hoje na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, um seminário para assinalar o 4.º aniversário da Creative Commons e o lançamento da versão portuguesa das Licenças Creative Commons , denominado “Creative Commons na Sociedade do Conhecimento: O impacto dos primeiros 4 anos“, com a presença de Lawrence Lessig, o fundador do Creative Commons .

O programa da conferência era bastante atractivo, mas ao mesmo tempo um pouco ambicioso e longo, com uma sessão de abertura, 2 painéis, uma mesa redonda e uma de encerramento, num total de 15 oradores, em apenas uma manhã. Esta situação, associada ao facto de a conferência ter começado com um atraso superior a 30 minutos, fez com que a mesma acabasse perto das 14h30, sem ter sido possível colocar perguntas aos oradores.

No primeiro painel, foi possível assistir a uma brilhante intervenção, por parte de um excelente orador, Lawrence Lessig, fundador das licenças Creative Commons, Professor Catedrático da Universidade de Stanford e um especialista no impacto das tecnologias na sociedade e os novos desafios para o direito.

Numa intervenção muito rica e dinâmica, abordou diversos aspectos relacionados com os direitos de autor e a propriedade intelectual, que justificam inequivocamente a necessidade da existência das licenças Creative Commons. Entre outros aspectos, Lessig falou da Cultura Read-only, que domina o mundo analógico, no qual apenas temos permissão para “ler”, e da Cultura Read-Write, à qual a Internet nos está a permitir regressar, uma vez que as técnicas estão a ser democratizadas, tornando-se em ferramentas criativas, ferramentas de discurso livre. Porém para que a Cultura Read-Write, possa ser uma verdadeira realidade na web, é necessário que os utilizadores tenha liberdade para “re-criar”, fazendo remixs e mashups, como no caso dos Anime Music Videos.

De seguida, através da intervenção de Catharina Maracke pudemos conhecer a Creative Commons Internacional, no qual podemos ficar a saber que em todo o mundo, actualmente já existem mais de 150 milhões de licenças. John Wilbanks apresentou-nos o Science Commons, um projecto muito interessante, repleto de mais valias e vantagens para os investigadores de todo o mundo. Para finalizar o primeiro painel, Shigeru Miyagawa apresentou-nos o MIT OpenCourseWare, uma excelente iniciativa do MIT, no qual podemos ter acesso a toda informação dos cursos desta Universidade, incluindo videos das aulas, publicada sob uma licença Creative Commons.

A seguir ao Coffee-break, seguiu-se o painel “A Propriedade Intelectual na Sociedade do Conhecimento“, cuja keynote pertenceu a José Pacheco Pereira. Numa intervenção “intensa e assombrosa” (como lhe chamou o moderador do painel), Pacheco Pereira levantou uma série de questões relacionadas com a sociedade da informação e com Internet, com referências a diversos filósofos/sociólogos como Aristóteles, Nietzsche, Kafka, Hegel, Durkheim, McLuhan, Weber entre muitos outros. Porém as ideias que retive da sua intervenção (apesar de não serem as ideias chave), foram “a 1.ª rede moderna é a burocracia” e “a Internet é um sistema burocrático sem centro“.

Após a intervenção de 2 distintos juristas, que abordaram a propriedade intelectual e a sua protecção, passámos rapidamente para a mesa redonda, com a presença de Rita Espanha (Obercom), John Gonçalves (The Gift), Leonel Moura (Artista Plástico), Paulo Querido, João Paiva (Portal da ciência Mocho), João Correia de Freitas (Director do CRIE, M. Educação), Mário Cameira (Público), moderada por Vasco Trigo. De destacar o facto de os The Gift pretenderem disponibilizar mais de metade do seu repertório com Licenças Creative Commons, a posição liberal do Paulo Querido sobre a pirataria (que para mim foi uma novidade) e a intervenção esclarecida de Leonel Moura. Para este artista plástico, a propriedade intelectual de uma obra não é o mais importante para o autor, uma vez que este apenas conseguirá lucrar com a sua obra se tiver visibilidade e reconhecimento.

Em síntese, foi uma conferência interessante, sobretudo pela presença de Lawrence Lessig, a apresentação do projecto MITOpenCourseWare, e outras informações ocasionais.

Para finalizar, aproveito para vos informar que a partir de ontem, este blog passou a estar licenciado sob uma Licença Creative Commons “Atribuição-Uso Não-Comercial 2.5”, pelo que podem copiar, distribuir, exibir e executar os conteúdos deste blog, bem como criar obras derivadas.

“Blogs – a global conversation”

Nos últimos dias, na sequência de algumas leituras no meu agregador de RSS, andava a reflectir sobre os milhões de blogues existentes em todo o mundo, constituírem uma conversa global e que este podia ser um excelente ponto de partida para a minha tese de mestrado. Infelizmente, parece que este tema já foi abordado, a avaliar pelo título da tese de James Torio – “Blogs – a global conversation“. Pois bem, resta-me ler com toda a atenção esta tese que o autor disponibiliza no seu blogue aqui e compreender o seu ângulo de estudo.
Informação via Atrium.
blogsbloguesweblogstese

Os blogues na Sociedade do Conhecimento

De acordo com os principais especialistas na matéria, economistas, sociólogos, psicólogos, gestores de recursos humanos, entre muitos outros, vivemos cada vez mais na sociedade da informação e mais recentemente na sociedade do conhecimento. Neste sentido, é portanto natural que no mais recente paradigma organizacional, um dos recursos mais importantes numa organização seja o conhecimento, na minha opinião, o conhecimento de cada trabalhador.

Assim sendo, quando alguém na qualidade de empregador pretende contratar um novo elemento para a sua organização, já não se pode limitar a questionar as habilitações literárias e a experiência profissional de um determinado candidato, mas no meu entender, deverá poder aferir os conhecimentos desse mesmo candidato. Um blogue tem todas as características ideais para ser um espaço no qual um candidato pode demonstrar os seus conhecimentos profissionais a potenciais empregadores, e simultaneamente transmitir a mensagem de que é uma pessoa interessada em se manter constantemente actualizada, uma vez que só dessa forma, é possível manter um blogue actualizado com o mínimo de frequência aceitável.

Paralelamente ao demonstrar as principais capacidades de um determinado indivíduo e os seus conhecimentos, pode-se ser confrontado com novas oportunidades profissionais, veja-se o caso de Pedro Mexia, que a partir dos blogues passou para, salvo erro, cronista do Diário de Notícias, ou o caso mais notório, o enorme sucesso dos Gato Fedorento na Sic Radical, que tiveram origem no blog (gatofedorento.blogspot.com), entre outros exemplos não conhecidos da opinião pública.

No caso específico do jornalismo, não tenho qualquer dúvida que é daquelas áreas, onde, um blogue é um espaço onde facilmente um indivíduo pode demonstrar o seu valor, sobretudo quando se está desempregado, sem nada que lhe ocupe o dia.

Porém, esta ideia dos blogues enquanto potenciadores de novas oportunidades profissionais não se restringe ao jornalismo. Outros sectores, como novas tecnologias, marketing, design, arquitectura, entre muitos outros sectores nos quais o conhecimento seja um factor diferenciador importante, podem ser sectores nos quais os blogues poderão proporcionar novas oportunidades profissionais, ou no mínimo servirem como características para desempate na luta por uma vaga numa organização, uma vez que a partilha de conhecimento, de novos dados, novas descobertas ou avanços podem ser demonstrativos das capacidades, dos conhecimentos ou da procura constante por informação, crucial na actual sociedade da informação.

Em Portugal, esta realidade ainda não se verifica, porém quem sabe num futuro próximo…

Restart Portugal ?

Na passada semana, foi apresentado o programa de acção "Ligar Portugal" integrado no "PLANO TECNOlÓGICO do XVII Governo: Mobilizar a Sociedade de Informação e do Conhecimento". Infelizmente ainda não tive oportunidade para conhecer em pormenor este programa. No entanto atendendo às linhas gerais que têm sido publicitadas, tenho de concordar com a posição expressa por Vitor Domingos aqui e aqui e com a posição do Sérgio Figueiredo aqui, apesar de menos radical.