BloggerView #20 António Granado

Fotografia de António GranadoApós mais de um ano desde a última entrevista publicada, recupero a partir de hoje uma das iniciativas de maior sucesso deste espaço – as BloggerViews. E quem melhor para começar esta 2.ª série de entrevistas do que António Granado, editor do Público.pt e autor do conhecido blog “Ponto Media“, um dos blogs portugueses mais relevantes no campo dos media, “com ligações para artigos interessantes e para estórias de jornalismo e jornalistas. De segunda a sexta”. Eis as resposta do António Granado.

1. Quando é começaste a “blogar”? Quais as principais razões que te levaram a ter um blog?
António Granado (A.G.): Comecei a blogar em 2 de Janeiro de 2001, sendo que preparei as coisas com um ou dois meses de antecedência para começar exactamente no início do novo século. Percebi que existiam blogs em Agosto ou Setembro de 2000, comecei a seguir alguns com frequência (Media News, por exemplo, que agora se chama Romenesko) e achei que seria uma interessante forma de intervir e organizar a minha própria informação.

2. Como surgiu o nome do teu blog?
A.G.: “Ponto com” era uma das expressões do momento. Eu achei que seria interessante chamar “Ponto media” a um blog sobre os media e o jornalismo.

3. Tens metas ou objectivos que pretendes atingir com o teu blog? Quais são?
A.G.: O meu blog é, cada vez mais, um sítio que utilizo para organizar a minha informação e a tornar disponível para outros, porque sinto que isso é útil para a minha dupla actividade de jornalista e professor de jornalismo.

4. Em tua opinião, qual é o papel que os blogs podem desempenhar no futuro, por exemplo em empresas ou escolas?
A.G.: Acho que os blogs já representam muito em empresas e escolas que perceberam a sua utilidade como repositórios de informações, meio de contacto com o exterior, organizadores de informação, agregadores de uma comunidade. Acho que muito mais escolas e empresas os deviam utilizar, mas acho que ainda vai demorar algum tempo até que estej

5. Como prevês o futuro dos blogs nos próximos anos?
A.G.: Os blogs vão continuar a ser locais privilegiados para partilhar informação, marcados pelas vozes dos seus autores.

6. Quantos feeds RSS tens no teu agregador de conteúdos? Que agregador utilizas? Porquê?
A.G.: Cerca de 120. Uso o browser Flock e o seu sistema de leitor de RSS. Habituei-me a ele há uns meses, mas antes utilizava o Sage do Firefox.

7. Qual é a tua opinião sobre os feeds RSS? Que papel pensas que poderão desempenhar no futuro, por exemplo na relação entre os governos e os cidadãos?
A.G.: Os feeds RSS são uma forma óptima de distribuir conteúdo, que facilita o acesso e o torna mais natural. Os governos ainda não estão a utilizá-los de forma muito eficaz, mas penso que isso pode mudar nos próximos anos, trazendo os cidadãos para mais próximo dos decisores.

8. Para ti, qual é a coisa mais importante que está a acontecer na web, neste momento? Porquê?
A.G.: O crescimento dos sites sociais e a emergência de inúmeras plataformas que potenciam a colaboração entre as pessoas é para mim o fenómeno mais interessante a acontecer na Web por estes dias.

9. Para além dos blogs, que outro software social utilizas, como o Flickr, Del.icio.us, Digg, LinkedIn, Twitter ou outros?
A.G.: Tenho conta em todos eles, mas sou grande fã do del.icio.us, sem o qual já não consigo viver. Ultimamente tenho vindo a utilizar cada vez mais o Twitter, que tem uma grande utilidade tanto para emitir como para receber informação (criei agora um feed da minha cadeira na Universidade Nova, por exemplo, para contactar com os alunos mais facilmente). O LinkedIn e o Facebook são também belíssimas ferramentas para nos pôr em contacto com pessoas que partilham os mesmos interesses que nós. Criei ainda uma série de wikis para as mais variadas tarefas e acho-os uma plataforma excelente para o trabalho colaborativo.

10. Qual é a tua opinião sobre o microblogging, como o Twitter ou o Jaiku? Achas que tem futuro?
A.G.: Acho que o microblogging não é o futuro, é o presente. O Twitter é cada vez mais o sítio onde as coisas acontecem primeiro, e o terramoto recente na China é um bom exemplo do papel que esta plataforma pode desempenhar. Para os jornalistas é uma ferramenta essencial que têm de aprender a manusear o mais rapidamente possível.

Obrigado António pela tua participação. Na próxima semana, não percam a entrevista com Armando Alves, autor do blog “A Source Of Inspiration“.

BloggerViews anteriores:

BloggerView #1: Rui Carmo
BloggerView #2: Nuno Leitão
BloggerView #3: Pedro Custódio
BloggerView #4: Carlos Jorge Andrade
BloggerView #5: Pedro Melo
BloggerView #6: Mónica André
BloggerView #7: André Ribeirinho
BloggerView #8: Beverly Trayner
BloggerView #9: Jose Luis Orihuela
BloggerView #10: Laurent Haug
BloggerView #11: Martin Roell
BloggerView #12: Stowe Boyd
BloggerView #13: Stephanie Booth
BloggerView #14: Dannie Jost
BloggerView #15: Suw Charman
BloggerView #16: Euan Semple
BloggerView #17: Tara Hunt
BloggerView #18: Henriette Weber Andersen
BloggerView #19: Ricardo Bernardo

Vídeo da semana – Heartbeats by Jose Gonzalez

A partir desta semana, irei tentar passar a publicar um artigo por semana, com um vídeo de qualidade, ao qual irei chamar o Vídeo da semana.

Esta semana, podia publicar um dos muitos vídeos que existem sobre o Swype (que na realidade parece bastante interessante), mas já existem muitos posts sobre isso por ai, inclusive dos meus ilustres colegas do Prt.Sc. Prefiro partilhar-vos um vídeo de um excelente anúncio de televisão da Sony Bravia. Não há dúvida que o anúncio é fantástico sobretudo, porque as bolas foram mesmo largadas pelas colinas de São Francisco. Mas o motivo da minha escolha está mesmo relacionado com a excelente música do José Gonzalez. Convosco Heartbeats by José Gonzalez no anúncio da Sony Bravia “Color – like.no.other.

Para os leitores via feed RSS, existe um vídeo neste post.

Os Social Media em Portugal – segundo Bruno Amaral

Relações Públicas - blog de Bruno Amaral

Na sequência dos artigos sobre os Social Media em Portugal, que estou a publicar por estes dias, hoje irei apresentar as respostas Bruno Amaral, autor do blog Relações Públicas.

Eis as suas respostas:

1. Como caracterizas o panorama dos Social Media, em Portugal?

Bruno Amaral:Ainda me parece algo muito novo. Por um lado, no campo dos blogs já conseguimos ver projectos muito sólidos e interessantes que vão além do tipico blog de comentário. São blogs que se preocupam em dar informação de qualidade aos seus leitores. E rivalizam com os jornalistas por se especializarem num único tema. Por melhor que seja um jornalista não vejo ninguém capaz de focar o panorama da música como o remixtures, ou a comentar o que se passa no Sapo.pt como o ponto sapo.

Mas os social media não são apenas blogs de nicho ou mesmo blogs como plataforma. São também as redes sociais como o hi5 e o linkedin, Wikis e fóruns de discussão. No entanto, as redes sociais não conseguem prosperar, ironicamente, por causa das próprias redes sociais. O hi5, netlog e outras variantes fazem com que estas representações de Social Media sejam vistas como meras brincadeiras, coisas de miúdos.

Por essas e outras razões acho que os social media em portugal ainda são muito verdes. Exemplo disso é que as agências de comunicação só recentemente começaram a experimentar ter blogs ou mesmo a debater os blogs como se vê nas Conversas da Unicer. Conversas essas que quase deixam os bloggers fora do diálogo.

As agências ainda tratam os bloggers como jornalistas. Enviam-nos press releases em PDF ou escritos para jornais. Esquecem-se de que um blogger é alguém que só escreve sobre o que gosta e não publica para um editor. Publica para si próprio e para os que partilham os mesmos valores. (Admito que não sei até que ponto os bloggers com objectivos comerciais encaixam nesta ideia).

Um exemplo desta relação que ainda é pouco clara é a forma como as Agências de Relações Pùblicas se relacionam com bloggers e jornalistas. Se lhes perguntarmos em que regras se baseiam para se dirigir a jornalistas, os relações públicas dessas agências podem simplesmente indicar um código de ética corporativo especifico para essa classe profissional. Mas se lhes perguntarmos como se relacionam com os bloggers e outros social media, dificilmente dão uma resposta tão concreta. Não existem códigos de conduta assumidos pelas Agências para o relacionamento com os bloggers .

Sem esquecer que qualquer profissional de comunicação está em posição de vantagem sobre um blogger. Facilmente o pode manipular ou aproveitar-se dele sem que haja  oportunidade de responsabilizar o Relações públicas por falta de ética profissional. Esta é uma ideia que me teria passado ao lado se não me tivesse sido mencionada pelo professor Thomas Pleil no Euroblog.

2. Qual a maior lacuna no panorama dos Social Media portugueses?

Bruno Amaral:Falta-nos um bom technorati para a língua portuguesa. Não por ser especialmente útil para as pessoas, mas porque nos ajudava a perceber melhor os blogs em português e a explicar a sua importância para as empresas.  Além disso, se quisermos procurar por conversas do nosso interesse em blogs em português, temos de nos sujeitar às ferramentas como o technorati que lhes dão menos relevância.

Mas mais importante do que uma ferramenta de análise é a postura. Acho que os blogs deviam esforçar-se por mostrar esta face da web a quem ainda não a conhece. As pessoas ainda pensam nos blogs como um universo que gira em torno do Abrupto. Não gira, e o próprio abrupto não consegue estabelecer diálogo com outros blogs de nichos diferentes ou de carácter diferente. Como os blogs geeks ou os baby blogs.

Outra falha está na postura das agências de comunicação. Começam a criar blogs e a entrar no diálogo. Mas ainda não mudaram nada nos seus próprios sites corporativos, não há rss ou social media releases disponíveis por exemplo. Por vezes o blog nem faz parte do site corporativo.

E também nos falta algum do espírito de colaboração ou rivalidade saudável que vejo nos blogs brasileiros por exemplo.

Portanto não há uma grande lacuna. Mas existem pequenas falhas que podem desaparecer com o tempo.”

3. Como prevês a evolução dos Social Media nos próximos 5 anos?

Bruno Amaral: “Estive a ler por alto o estudo mais recente da Obercom sobre a Internet em Portugal. E honestamente pensava que tinha crescido mais do que aquilo que cresceu. Mas mesmo assim há uma série de coisas que eu gostava de ver acontecer:

  • Gostava de ver os blogs a ser levados mais a sério;  Quando falo do meu blog passo sempre 5 minutos ou mais a explicar porque é que é um compromisso sério e a sensibilizar as pessoas a respeito de outros blogs que conheço.
  • Espero que as empresas em Portugal venham a perceber os social media e como resultado se tornem mais responsáveis e transparentes. Ou seja, que comecem a perceber que o diálogo é cada vez maior e que têm de se colocar ao nível dos seus clientes, colaboradores e parceiros se esperam sobreviver. Mas já me contento se as empresas forem ler o Cluetrain Manifesto e reflectir sobre ele.
  • Mas mais do que isso, gostava de ver uma escola onde os social media fizessem parte do currículo. Principalmente nos cursos de relações públicas.

Hà medida que a tecnologia evoluir e formos mudando a forma como comunicamos a sociedade também vai mudar. (Clay Shirky 2008, pagina 17 ) E já vemos essas alterações em acção. O caso mais recente foi ver uma professora em confronto com uma aluna nas notícias. Foi algo que teria sido resolvido pelo conselho directivo e os pais há uns anos atrás. Mas atravessou as barreiras da escola e chegou a tribunal depois de passar pelo horário nobre.

Muito obrigado Bruno pela tua participação. No próximo artigo irei publicar as respostas do André Ribeirinho.

Artigos anteriores desta série:

Os Social Media em Portugal – segundo Luís Santos

Um dos primeiros bloggers nacionais a aceitar o meu desafio sobre o panorama dos Social Media em Portugal, foi o Luís Santos, autor do blog Atrium – media e cidadania.

Eis as respostas do Luís:

1. Como caracterizas o panorama dos Social Media, em Portugal?

Luís Santos: “A natureza dos espaços, a fluidez das ligações e a existência errática que neles vamos tendo tornam praticamente impossível uma avaliação generalista. Além disso, uma das muitas barreiras que a auto-publicação quebrou foi precisamente a da delimitação geográfica. Assim sendo, eu diria que há indicadores de adesão mais forte a alguns formatos do que a outros e, dentro de cada formato, de adesão a uma plataforma em desfavor de outra, mas essa realidade está, em grande parte, por avaliar.

Os portugueses, sobretudo uma parte significativa dos mais jovens, organizam já a sua existência em torno de várias identidades e em fluxo permanente entre elas. Algumas serão de natureza concreta, material, mas outras não. E nada nisso é já artificial. Pelo contrário. Podem ser o João na escola, o JonnyMnemonic no Hi5, e o belezaescondida numa plataforma de blogs. E a sua própria identidade já se define na confluência de tudo isto; é multi-facetada, abertamente complexa.

2. Qual a maior lacuna no panorama dos Social Media portugueses?

Luís Santos: “(Visão abertamente parcial e distorcida da realidade) Faltam mais espaços de informação alternativa, faltam mais experiências sólidas de produção de conteúdos em partilha e discussão. Falta debate sério. Faltam espaços de expressão de cidadania responsável (que não são, note-se, arenas de reivindicação, lugares de ‘nós contra eles’).

3. Como prevês a evolução dos Social Media nos próximos 5 anos?

Luís Santos: “Ah, pois.

Há cinco anos atrás não sabia o que era o Flickr, o Facebook, a Wikipedia ou o Twitter – hoje essas são páginas que estão sempre abertas no meu browser.

É, porém, bem verdade que muito do futuro que teremos emana do futuro que imaginámos. E se eu pudesse mesmo imaginar apostaria em maior interacção entre as plataformas (mashups), em maior facilidade de uso e em maior mobilidade. Gostaria de apostar na ideia de que ‘mais’ pode ser também ‘melhor’, mas acho que essa seria para perder (como prova o mais recente estudo do Project for Excellence in Journalism na sua mais recente análise “The State of News Media”).

Muito obrigado Luís pela tua participação. No próximo artigo irei publicar as respostas do Paulo Querido, autor do Certamente!

Aqui e agora: os perigos da Internet

A propósito da rúbrica Aqui e Agora da SIC, que hoje foi dedicada aos “Perigos da Internet” (e já comentada aqui), e que por um motivo de força maior apenas pude assistir de passagem, gostava apenas de fazer o seguinte comentário:

De acordo com Melvin Kranzberg (1917:1995), um brilhante historiador da tecnologia:

a tecnologia não é boa, nem má, mas também não é neutra.

Ou seja, a tecnologia não é boa nem má, depende da utilização que as pessoas fazem dela. Por exemplo uma espingarda tanto pode ser utilizada para matar uma pessoa, como para reforçar a mensagem artística de um cartaz sobre o 25 de Abril.

Do mesmo modo, a Internet enquanto tecnologia de comunicação e informação,  tanto pode ser utilizada para a partilha de informação entre investigadores, dispersos pelo mundo, que trabalham na cura de uma determinada doença ou para recolher ajudas para as vitimas do Tsunami em 2004, ou como por outro lado, pode ser utilizada por algumas pessoas para suportar as suas actividades ilícitas, como o tráfico de droga.

// Lisbon Lab com novo design

Os meus leitores mais assíduos saberão bem que a escrita neste espaço de ideias, estudos, experiências e reflexões tem sido pouco frequente e muito ocasional. Se é certo, que um dos principais motivos é a ausência de tempo (já referida aqui noutros textos), na verdade, ao mesmo tempo também não me revia totalmente no anterior design, que usei em último recurso, por ter descoberto um bug grave no template que utilizava até então.

novo visual do blog // Lisbon Lab

Assim sendo, apresento-vos o LisbonGrid, um novo template para o WordPress criado por mim, inspirado em vários templates existentes, com algumas sugestões da minha cara metade.

Naturalmente, o template “LisbonGrid” ainda não está totalmente concluído, faltando limar algumas arestas, nomeadamente traduzir o plugin “Smart Archives”, corrigir pequenas correcções no css e criar um folha de estilos para o modo de impressão.

Como sempre os vossos comentários, sugestões ou mesmo relatórios de erros são muito bem-vindos.