Porque hoje é dia de greve!

Hoje ao deixar os filhos na creche, percebi que a escola primária, que fique no mesmo bloco, estava fechada devido à greve da função pública.

Desculpem-me, mas não consigo perceber as greves.

Tanto neste caso, como no caso por exemplo das greves da Carris, do Metro ou da CP, os prejudicados não são os ministros mas sim os cidadãos que não têm culpa nenhuma da situação que motiva a greve. E ao contrário do que se possa pensar, eu acho que a maioria das pessoas perante uma greve não fica simpatizante do protesto, pelo contrário. Ou seja, as pessoas acabam por ficar revoltadas por terem que faltar ao trabalho porque não têm onde deixar os filhos ou porque não têm como chegar ao trabalho, por exemplo.

Como é óbvio eu concordo que as pessoas defendam as ideias em que acreditam, mesmo que possa discordar dessas ideias, mas acho que existem outras formas de protesto, com mais impacto junto dos decisores, como por exemplo manifestações, como as dos professores nos últimos anos, ou por exemplo, como não cobrar bilhete aos utilizadores dos transportes públicos, etc.

  • http://paulasimoesblog.wordpress.com paula simoes

    Uma greve não tem propriamente como objectivo aborrecer os cidadãos utilizadores dos serviços, essa é uma consequência da greve. E não é necessariamente inútil, se tiveres muitos cidadãos a refilarem da greve, isso coloca mais pressão na empresa para resolver os seus diferendos com os funcionários. Porque se uma greve não prejudicar a “empresa” nem os “clientes dessa empresa”, esta não tem nenhuma motivação para resolver as diferenças com os funcionários, pois não?

    É preciso observar que uma pessoa que faz greve, vê o seu ordenado reduzido no fim do mês. E se para algumas pessoas a redução do ordenado em dois ou três dias não é significativa, para muitas essa redução pode significar privarem-se de algo no mês seguinte. E é necessário observar ainda que quando se chega ao ponto de greve, isso significa que já houve conversações entre funcionários e empresa.
    Uma greve também não tem propriamente o objectivo de prejudicar os ministros, enquanto ministros. Vou pegar num dos exemplos que dás: se os funcionários da CP decidirem fazer greve por dois ou três dias, isso significa comboios parados e comboios parados significa que a CP perde muito dinheiro.
    E é este o principal objectivo da greve: mostrar à empresa o valor do serviço.

    Dás como alternativa a manifestação, por exemplo. Pego novamente no exemplo, se os funcionários da CP decidirem, em vez de greve, fazer uma manifestação, mas a CP continuar a funcionar, continuar a produzir e os utilizadores continuarem a usufruir dos serviços da CP normalmente, a CP não terá nenhuma motivação para resolver os problemas com os funcionários. Pode argumentar-se que a manifestação pode fazer com que a imagem da CP se torne mais negativa. E eu pergunto: E então? O objectivo da CP é que as pessoas usem os comboios, será que as pessoas vão deixar de usar o comboio porque a CP não resolve os problemas com os seus funcionários?

    Também podes argumentar que há pessoas que fazem greve por tudo e por nada e que há greves sem sentido, no que concordarei contigo. Mas isso tem de ser visto caso a caso. E não é a existência desses casos que faz com que se possa rotular todas as greves como “sem sentido”.

    Curiosamente, o exemplo que dás de não cobrar bilhete aos utilizadores dos transportes públicos, também é um tipo de greve. Tem um nome específico, que não me lembro agora, mas significa que vais trabalhar, mas não fazes o trabalho. Ficas lá sem fazer nada. É uma greve, na mesma, mas não resulta para todas as profissões.
    Para além de diferentes tipos de greve, também tens diferentes motivações para a greve, se ela pode ser um instrumento para o aumento de salários e direitos, ela também pode ser usada para que a empresa não diminua salários ou retire direitos.