Formas alternativas de mobilidade

Desde sempre me interessei por propostas alternativas de mobilidade, que possam facilitar o nosso dia-a-dia e sobretudo que sejam mais eficientes energeticamente e amigas do ambiente. Apesar de cada vez mais pessoas aderirem ao carpooling, a maioiria das pessoas (incluindo eu, por falta de alternativas racionais) faz os seus percursos diários, sozinha em carros de 5 lugares, o que se traduz num gigantesco desperdício energético e na saturação das nossas estradas.

P.U.M.A.

Há algumas semanas, algumas pessoas, incluindo o Pedro Custódio, divulgaram o mais recente projecto da Segway, o protótipo P.U.M.A.. Partindo da tecnologia das segways que existem actualmente no mercado, a G.M. e a Segway estão a desenvolver um protótipo com capacidade para 2 pessoas, ao qual deram o nome de P.U.M.A. – Personal Urban Mobility & Accessibilit. No vídeo seguinte, é possível ver as potencialidades deste projecto. Espero que com todos os problemas económicos que a GM, está a atravessar este projecto não seja posto de parte.

Gocycle

É claro que existe sempre pelo menos uma alternativa amiga do ambiente, as bicicletas. Porém nalgumas cidades como Lisboa, ou para distâncias mais compridas, não é fácil equacionar uma bicicleta como uma verdadeira alternativa de mobilidade.

Felizmente existem, pelo mundo fora, vários projectos com o objectivo de desenvolver uma bicicleta eléctrica, de reduzidas dimensões, não muito pesada e portátil.

Recentemente, descobri um projecto que me parece reunir todas estas características, a Gocycle. Para além de ser bastante apelativa, é flexível, confortável, eléctrica, não muito pesada (entre 12 e 16kgs) e, mais importante, é portátil uma vez que é possível guardá-la facilmente numa pequena mala. Imaginem as potencialidades de uma bicicleta deste tipo, se por exemplo fosse desenvolvido um acessório, em que a mala fosse uma mochila, permitindo que uma pessoa fizesse metade do seu percurso diário de metro e a partir daí, o restante percurso na Gocycle. Infelizmente, um dos únicos problemas da Gocycle deve ser mesmo o preço.

Gocycel

ULTra

Porém, tenho de confessar que a solução que mais me agrada, é a proposta pelo projecto ULTRa PRT. A essência deste projecto traduz-se em pequenos veículos sem condutor, nos quais o passageiro indica o destino e de seguida o veículo, entrando numa espécie de carris, segue o seu percurso, atrás dos outros veículos. De acordo com a sua apresentação:

“ULTra is a revolution in sustainable public transport, providing on-demand driverless travel.

ULTra offers an advanced form of PRT (Personal Rapid Transit), ready for application, giving effective, low cost and sustainable transport for cities, airports and special developments worldwide.”

Mas, o melhor mesmo é verem o vídeo.

Pessoalmente acho que um sistema deste género traria enormes vantagens para a mobilidade urbana de qualquer cidade, acabando com os problemas de estacionamento e com a falta de civismo de alguns condutores. Actualmente, encontra-se em fase de conclusão a primeira implementação deste projecto, no aeroporto de Heathrow.

Eventualmente em próximas implementações, seria interessante que fossem acrescentadas novas funcionalidades que poderiam aumentar a eficiência deste meio de transporte alternativo como fossem, por exemplo a existência de viaturas para apenas 2 ocupantes ou a obrigatoriedade de ao chamar um veículo, o utilizador referir o destino, para caso nos minutos seguintes passasse por ali, um veículo para o mesmo destino, pudessem partilhar esse veículo.

E vocês, em que formas alternativas de mobilidade acreditam?

  • cajosilva

    são propostas interessantes.
    penso que a curto prazo o que será mais interessante, e pelo que sei já está pensado para a cidade de Lisboa (e do Porto também), é a utilização de bicicletas, usando o mesmo sistema que é usado em Paris.
    as bicicletas serão disponibilizadas em diversos pontos da cidade, as pessoas pagarão um valor reduzido e para que ninguém as furte, terão um sistema integrado de localização.
    claro que o sucesso ficará dependente da motivação das pessoas e dos benefícios que possam daí advir, das vias de circulação que serão construídas ou facilitadas e essencialmente de uma mudança de mentalidade que tarda a chegar a Portugal.
    Pergunto se as pessoas se vêem a ir de bicicleta para o trabalho e se as mesmas empresas estarão preparadas para receber quem ande de bicicleta. (terem uma pequena estrutura montada).
    Lisboa tem uma dificuldade acrescida (ao contrário de Paris ou de Aveiro, para usar uma referência nacional) que é o seu relevo. Se em algumas partes será fácil de andar noutras nem tanto.

    A opção de bicicleta eléctrica poderá ser uma alternativa, mas não o é quando estamos a pensar no ambiente, pois o consumo de energia, mesmo que reduzido, será sempre um ponto em desfavor da bicicleta normal.

  • http://muiomuio.net Mário Andrade

    O grande problema que encontro em Lisboa são as inclinações que impedem muitas vezes essa mobilidade.

    A falta de caminhos específicos para transportes alternativos como bicicletas é outro grande obstáculo. Afinal de contas ninguém gosta de ser ultrapassado por um autocarro que está apenas a 50 cm de distância.

    Infelizmente não vejo a mobilidade e as tecnologias verdes como algo prioritário em Portugal. Acho que será muito difícil implementar transportes alternativos em Portugal se ficarmos à espera de uma acção ou ajuda significativa do Estado.

    Empresas particulares já existem algumas que disponibilizam bicicletas e outros meios de transporte mas não creio que o nível de sucesso sejam os melhores.

  • http://azulebanana.com/anabananasplit anabananasplit

    Inclinações: há uma coisa chamada mudanças que facilita muito a vida aos ciclistas. 🙂 Que percentagem de Lisboa inclui troços com declives tais que torne a bicicleta uma opção pouco viável? Não será relativamente pequena?…

    Ciclovias: as bicicletas não precisam de caminhos específicos, têm direito à estrada, e só quando esta lhes é interdita ou desadequada é que as ciclovias deverão ser construídas.

    Ultrapassagens por autocarros a 50 cm: geralmente só acontecem se o ciclista o permitir, através de uma condução não-assertiva.

  • http://azulebanana.com/anabananasplit anabananasplit

    Inclinações: há uma coisa chamada mudanças que facilita muito a vida aos ciclistas. 🙂 Que percentagem de Lisboa inclui troços com declives tais que torne a bicicleta uma opção pouco viável? Não será relativamente pequena?…

    Ciclovias: as bicicletas não precisam de caminhos específicos, têm direito à estrada, e só quando esta lhes é interdita ou desadequada é que as ciclovias deverão ser construídas.

    Ultrapassagens por autocarros a 50 cm: geralmente só acontecem se o ciclista o permitir, através de uma condução não-assertiva.