BloggerView #21 Armando Alves

Infelizmente na semana passada não consegui publicar a bloggerview do Armando Alves, tinha como tinha ‘promotido’, a quando da publicação da entrevista do António Granado. Pois bem, vem com uma semana de atraso, mas mais vale tarde do que nunca.

Para quem não conhece, o Armando Alves é o autor do excelente blog “A Source of Inspiration – fresh ideas for digital creativity”, pelo que é para mim é um enorme prazer poder contar com a sua participação na 2.ª série das Bloggerviews. Eis as respostas dele:

1. Quando é começaste a “blogar”? Quais as principais razões que te levaram a ter um blog?
Armando Alves (A.A)
: A decisão de ter um blog deu-se no início de 2005. Apesar de lidar com desenvolvimento para web desde 2000, e acompanhar de perto o crescimento dos blogs, até à altura sempre achei que não teria nada de interesse para escrever sob a forma de diário cronológico.
A ideia andou a fermentar durante ano e meio, tendo começado a visitar e a participar em blogs, até que no Verão de 2006 lancei o blog “A Source Of Inspiration“, como forma de partilha dos meus interesses.

2. Como surgiu o nome do teu blog?
Na altura que lancei o blog, guardava uma média de 200 bookmarks por mês, a maior parte relacionados com criatividade, design e web. A pasta onde estavam os mais interessantes, organizados por mês, tinha o nome “ASourceOfInspiration”. Daí que, quando decidi criar o blog, essa foi a escolha quase óbvia. O blog teria assim 2 grandes eixos: Source, ao abordar áreas relacionadas com a web e interactividade; Inspiration ao debruçar-se igualmente sobre criatividade e design.

3. Tens metas ou objectivos que pretendes atingir com o teu blog? Quais são?
Uma das metas iniciais já foi em grande parte atingida, ao ter uma audiência internacional. Isso possibilitou-me conhecer profissionais e trocar conhecimentos difíceis de obter aqui em Portugal. Deu-me igualmente oportunidade de participar em inciativas internacionais, como ser guest blogger para o Osocio (o blog de referência em publicidade social) ou de participar com um capítulo no próximo livro Age Of Conversation,

Outra metas ainda por atingir prende-se com o blog servir de meio privilegiado de dar a conhecer o bom trabalho que se faz na área interactiva em Portugal. E claro, escrever um livro tendo o blog como ponto de partida.

4. Em tua opinião, qual é o papel que os blogs podem desempenhar no futuro, por exemplo em empresas ou escolas?
Não é no futuro, é agora. Os blogs já desempenham essa tarefa, apenas não o fazem enquadrados numa estrutura corporativa. Os empregados, os professores, os alunos, os clientes, já usam os blogs como  agente de mudança, quer pessoal, quer organizacional.

O grande passo terá que ser dado pelos decisores, ao aceitar os blogs nas suas várias facetas: de informação, de opinião, de entretenimento, ou de puro diário pessoal, e saber enquadrá-lo no seu ambiente, tirando o melhor partido deste novo canal de comunicação.

5. Como prevês o futuro dos blogs nos próximos anos?
Estamos numa fase em que os blogs têm que se assumir cada vez mais como plataforma de publicação, saíndo do habitual registo de diário cronológico, e passar a oferecer uma experiência mais rica. Widgets, sindicação de conteúdos, redes sociais entre os blogs (o Google está a ir por esse caminho) ou o lifestreaming prometem dar uma nova dimensão aos blogs.

6. Quantos feeds RSS tens no teu agregador de conteúdos? Que agregador utilizas? Porquê?
Neste momento, cerca de 280. O agregador que uso é o Google Reader, sobretudo por conveniência, já que sou utlizador intensivo de outros serviços do Google. Tenho também conta no Netvibes, que uso para guardar outros feeds interessantes mas que não leio com tanta frequência.

7. Qual é a tua opinião sobre os feeds RSS? Que papel pensas que poderão desempenhar no futuro, por exemplo na relação entre os governos e os cidadãos?

Os feeds seguem um modelo “pull” de informação, vindo desintermediar o papel que estava a cargo dos media tradicionais. Se por um lado pode ser benéfico, por outro, pode oferecer uma visão demasiado parcial da informação. O meu conselho é que obtenham informação fora dos feeds em temas que exigam mais reflexão.

Em relação aos governos, e seguindo o raciocínio anterior, é mais importante aos cidadãos obterem uma visão plural dos acontecimentos, do que a informação filtrada por um feed do governo. Até porque, pelo menos no que diz respeito a informação mais institucional, a pesquisa vai continuar a ser a ferramenta mais utilizada. Para comunicação mais informal, vejo mais futuro no microblogging, em serviços como o Twitter.

8. Para ti, qual é a coisa mais importante que está a acontecer na web, neste momento? Porquê?
A coisa mais importante que esta acontecer é … esquece. Já foi. Agora já é outra coisa qualquer. Isto para dizer que o mais me impressiona na web é a sua contínua vontade em inovar, em encontrar novos desafios. Sob o mesmo ponto de vista de inovação, mas pela negativa, as ameaças à criatividade que surgem do DRM, patentes e Net Neutrality.

9. Para além dos blogs, que outro software social utilizas, como o Flickr, Del.icio.us, Digg, LinkedIn, Twitter ou outros?
Todos esses e mais alguns. O que mais me cativou nos últimos tempos foi o Friendfeed, onde podem ver alguns dos outros serviços media sociais que uso.

10. Como analisas o panorama dos media sociais em Portugal e a sua adopção pelos utilizadores web portugueses?
Para começar, a maior parte dos portugueses nem sequer conhece o termo “media sociais”. Isto apesar da penetração de alguns serviços ser deveras impressionante, com o Hi5 à cabeça. Preocupa-me que a adopção se centre sobretudo nos serviços de redes sociais, dando largas a comportamentos voyeuristas. Seria muito mais interessante para a sociedade portuguesa se o fascínio estivesse na capacidade colaborativa dos media sociais, estimulando assim a criatividade, inovação e empreendorismo.

Obrigado pela tua participação Armando. Para a semana (pelo menos, assim espero), não percam a bloggerview de Paulo Querido, autor do blog “mas certamente que sim“.

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BloggerView #9: Jose Luis Orihuela
BloggerView #10: Laurent Haug
BloggerView #11: Martin Roell
BloggerView #12: Stowe Boyd
BloggerView #13: Stephanie Booth
BloggerView #14: Dannie Jost
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BloggerView #17: Tara Hunt
BloggerView #18: Henriette Weber Andersen
BloggerView #19: Ricardo Bernardo
BloggerView #20: António Granado

BloggerView #20 António Granado

Fotografia de António GranadoApós mais de um ano desde a última entrevista publicada, recupero a partir de hoje uma das iniciativas de maior sucesso deste espaço – as BloggerViews. E quem melhor para começar esta 2.ª série de entrevistas do que António Granado, editor do Público.pt e autor do conhecido blog “Ponto Media“, um dos blogs portugueses mais relevantes no campo dos media, “com ligações para artigos interessantes e para estórias de jornalismo e jornalistas. De segunda a sexta”. Eis as resposta do António Granado.

1. Quando é começaste a “blogar”? Quais as principais razões que te levaram a ter um blog?
António Granado (A.G.): Comecei a blogar em 2 de Janeiro de 2001, sendo que preparei as coisas com um ou dois meses de antecedência para começar exactamente no início do novo século. Percebi que existiam blogs em Agosto ou Setembro de 2000, comecei a seguir alguns com frequência (Media News, por exemplo, que agora se chama Romenesko) e achei que seria uma interessante forma de intervir e organizar a minha própria informação.

2. Como surgiu o nome do teu blog?
A.G.: “Ponto com” era uma das expressões do momento. Eu achei que seria interessante chamar “Ponto media” a um blog sobre os media e o jornalismo.

3. Tens metas ou objectivos que pretendes atingir com o teu blog? Quais são?
A.G.: O meu blog é, cada vez mais, um sítio que utilizo para organizar a minha informação e a tornar disponível para outros, porque sinto que isso é útil para a minha dupla actividade de jornalista e professor de jornalismo.

4. Em tua opinião, qual é o papel que os blogs podem desempenhar no futuro, por exemplo em empresas ou escolas?
A.G.: Acho que os blogs já representam muito em empresas e escolas que perceberam a sua utilidade como repositórios de informações, meio de contacto com o exterior, organizadores de informação, agregadores de uma comunidade. Acho que muito mais escolas e empresas os deviam utilizar, mas acho que ainda vai demorar algum tempo até que estej

5. Como prevês o futuro dos blogs nos próximos anos?
A.G.: Os blogs vão continuar a ser locais privilegiados para partilhar informação, marcados pelas vozes dos seus autores.

6. Quantos feeds RSS tens no teu agregador de conteúdos? Que agregador utilizas? Porquê?
A.G.: Cerca de 120. Uso o browser Flock e o seu sistema de leitor de RSS. Habituei-me a ele há uns meses, mas antes utilizava o Sage do Firefox.

7. Qual é a tua opinião sobre os feeds RSS? Que papel pensas que poderão desempenhar no futuro, por exemplo na relação entre os governos e os cidadãos?
A.G.: Os feeds RSS são uma forma óptima de distribuir conteúdo, que facilita o acesso e o torna mais natural. Os governos ainda não estão a utilizá-los de forma muito eficaz, mas penso que isso pode mudar nos próximos anos, trazendo os cidadãos para mais próximo dos decisores.

8. Para ti, qual é a coisa mais importante que está a acontecer na web, neste momento? Porquê?
A.G.: O crescimento dos sites sociais e a emergência de inúmeras plataformas que potenciam a colaboração entre as pessoas é para mim o fenómeno mais interessante a acontecer na Web por estes dias.

9. Para além dos blogs, que outro software social utilizas, como o Flickr, Del.icio.us, Digg, LinkedIn, Twitter ou outros?
A.G.: Tenho conta em todos eles, mas sou grande fã do del.icio.us, sem o qual já não consigo viver. Ultimamente tenho vindo a utilizar cada vez mais o Twitter, que tem uma grande utilidade tanto para emitir como para receber informação (criei agora um feed da minha cadeira na Universidade Nova, por exemplo, para contactar com os alunos mais facilmente). O LinkedIn e o Facebook são também belíssimas ferramentas para nos pôr em contacto com pessoas que partilham os mesmos interesses que nós. Criei ainda uma série de wikis para as mais variadas tarefas e acho-os uma plataforma excelente para o trabalho colaborativo.

10. Qual é a tua opinião sobre o microblogging, como o Twitter ou o Jaiku? Achas que tem futuro?
A.G.: Acho que o microblogging não é o futuro, é o presente. O Twitter é cada vez mais o sítio onde as coisas acontecem primeiro, e o terramoto recente na China é um bom exemplo do papel que esta plataforma pode desempenhar. Para os jornalistas é uma ferramenta essencial que têm de aprender a manusear o mais rapidamente possível.

Obrigado António pela tua participação. Na próxima semana, não percam a entrevista com Armando Alves, autor do blog “A Source Of Inspiration“.

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Vídeo da semana – Heartbeats by Jose Gonzalez

A partir desta semana, irei tentar passar a publicar um artigo por semana, com um vídeo de qualidade, ao qual irei chamar o Vídeo da semana.

Esta semana, podia publicar um dos muitos vídeos que existem sobre o Swype (que na realidade parece bastante interessante), mas já existem muitos posts sobre isso por ai, inclusive dos meus ilustres colegas do Prt.Sc. Prefiro partilhar-vos um vídeo de um excelente anúncio de televisão da Sony Bravia. Não há dúvida que o anúncio é fantástico sobretudo, porque as bolas foram mesmo largadas pelas colinas de São Francisco. Mas o motivo da minha escolha está mesmo relacionado com a excelente música do José Gonzalez. Convosco Heartbeats by José Gonzalez no anúncio da Sony Bravia “Color – like.no.other.

Para os leitores via feed RSS, existe um vídeo neste post.

Os Headings e a acessibilidade

No meu entender, a utilização de xHTML semântico, no desenvolvimento web, é muito importante por vários motivos, acessibilidade, usabilidade, optimização para motores de busca, entre outros.

Um dos princípios fundamentais na utilização de xHTML semântico é a utilização correcta das tags H1, H2 e sucessivamente, nos títulos e sub-títulos de uma página web, em detrimento da criação de classes css para definir o estilo desses mesmos menus.

Há alguns dias, tentava explicar a um amigo a importância da utilização correcta das tags “Headings” em termos de acessibilidade, mas nada melhor do que um vídeo bastante ilustrativo da sua preciosa ajuada a pessoas com necessidades especiais.

Acho que era importante que os web developers (ou como queiram chamar aos técnicos que produzem html ou xhtml), percebessem que não faz sentido reinventar a roda, quando ela já existe e com ‘extras’, o que a torna mais prática e acessível a todos.

Agosto em Lisboa

Ao contrário do que costuma ser habitual, ao nível profissional, “Silly Season” foi algo que não existiu no mês de Agosto, pelo contrário. Como podem eventualmente ter reparado pela minha total ausência neste espaço durante mais de um mês, Agosto foi um mês bastante preenchido quer na Wingman, elaboração de propostas comerciais e desenvolvimento de alguns projectos, que como é habitual são sempre para ontem, quer em termos de projectos pessoais, uma vez que tive a concluir o desenvolvimento de um template avançado de WordPress para um amigo (logo que seja possível dar-vos-ei mais informação sobre este projecto, do qual tenho alguma esperança venha a ser uma iniciativa de sucesso).

Mesmo assim, consegui desfrutar do melhor que Lisboa tem no mês de Agosto. Tal com o Pedro Rebelo, também a minha família optou por viver em Lisboa. E um dos melhores meses para viver em Lisboa é mesmo Agosto. Enquanto pudermos, não faremos férias em Agosto. Além de ser mais barato fazer férias na 1.ª quinzena de Julho ou em Setembro, passear em Lisboa em Agosto é excelente. Com excepção da invasão espanhola a maioria dos locais que habitualmente frequentamos passam a estar vazios e inclusive estacionar na rua passa a ser uma coisa simples, independentemente da hora do dia.

Este ano, nos fins de semana de Agosto conseguimos conhecer alguns espaços novos, como:

  • o espaço “A ler devagar” na Fábrica Braço de Prata, que para quem não conhece é um espaço que devem conhecer. Constituído por várias salas cheias de livros dá-nos vontade de ficar durante horas, na conversa ou simplesmente a ler. Parece-me um espaço excelente para tertúlias e pequenos debates sobre os mais diversos temas;
  • o Jardim botánico de Lisboa, que me desiludiu bastante. Não me parece fazer sentido ter que pagar por um espaço que não está decentemente conservado e que poderia ser um ex-libris da cidade, caso fosse bem aproveitado. Uma vez que sei que não deve haver dinheiro para fazer a manutenção que este espaço necessita, acho que preferia uma de 2 alternativas: a) fosse gratuito e minimamente conservado, por exemplo passando a sua conservação para a CMLisboa, ou b) fosse pago, mas com um valor decente que fosse suficiente para manter o jardim impecável, que justificasse o seu preço de entrada.

Por outro lado, conseguimos revisitar alguns espaços que são bastante do nosso agrado:

  • A pizzaria Casanova, junto a Santa Apolónia, restaurante no qual vamos no mínimo 2 a 3 vezes todos os verões e que para mim tem provavelmente a melhor Pizza Calzone do país;
  • O Oceanário de Lisboa ( no ano em que passam 10 anos sobre a Expo98). Para mim o oceanário é daqueles locais, em que eu acho que nunca se foi demais. É sempre um prazer passear pelo oceanário e deliciarmo-nos com toda aquela vida animal sub-aquática e não só. Sendo que desta vez foi a 1.ª ida da minha filha (de quase 9 meses) ao oceanário. Ao contrário do que possam pensar, acho que ela gostou bastante, dado a atenção que ela dava ao movimento dos peixes, sobretudo aos maiores, tubarões, raias e atuns.

Por último, mas não menos importante, pelo contrário, os nossos domingos de Agosto terminaram todos no Parque Eduardo VII, no Pleno Out Jazz, a ouvir algum do melhor jazz que se faz em Portugal, sentados na relva ou num puff da Pleno. Por exemplo no último domingo foi a vez do Carlos Bica, que não deixou os seus créditos por mãos alheias. Em Setembro há mais, mas desta vez no Jardim da Estrela.

Entretanto na Internet, muita coisa importante aconteceu, como a divulgação dos vídeos de conceito do Aurora, pela Adaptive Path, o Ubiquity ou o Google Chrome, entre muitas outras coisas que os meus colegas do Prt.Sc foram dado nota.

Para o ano há mais Agosto, por agora ficamos com Setembro, no qual espero conseguir escrever com mais frequência. Pelo sim, pelo não, no entretanto para notas mais imediatas podem ir acompanhando a minha conta no Twitterhttp://twitter.com/hugons.

Até já.

Foto da autoria de: McPig