Os Social Media em Portugal – segundo Paulo Querido

No âmbito da série de artigos sobre os Social Media em Portugal, que estou a publicar esta semana, hoje irei apresentar as respostas de Paulo Querido, autor do blog “Mas Certamente Que Sim!“.

Eis as suas respostas:

1. Como caracterizas o panorama dos Social Media, em Portugal?

Paulo Querido: “Por uma divisão entre os media sociais de relacionamento amoroso e os outros.

Os de relacionamento amoroso vão de vento em popa, tanto em termos de utilizadores como em termos de oferta; há inclusivé várias empresas já a disputar o mercado, empresas de alguma dimensão, e há mercado pois que alguns títulos já mudaram de mãos.

Nos outros estamos na fase alfa, ou seja, temos os early adopters a entrar como participantes. Para a maioria dos cibernautas portugueses, a net é para ir ao Sapo ler as notícias, “procurar cenas” na Wikipedia para os trabalhos, engatar e fazer downloads. Há uma minoria um pouco mais adiantada que lê / participa / é autor de blogues. Mas nem estes (se) ligam aos social media: a blogosfera portuguesa está marcada desde o seu início pelo estigma da conversa de café em torno da política e das notícias que aparecem e não aparecem nos jornais, há pouco espaço para o pensamento e ainda menos para a acção sobre esta, e nesta nova fronteira das sociedades.

A avaliar pela minha experiência, haverá uns poucos milhares no LinkedIn, uns poucos milhares distribuídos pelos jogos em rede (incluindo o Second Life), umas largas centenas no Twitter, uns dezenas no FriendFeed — com estes três exemplos cobrimos três camadas no tempo. Ao invés os sites de engate têm dezenas de milhares de pessoas, todos eles, e somos um dos países mais avançados em sites de partilha de ficheiros. Centenas de milhar têm um blogue ou um perfil no MySpace / Hi5. 

(Estes números destinam-se a ilustrar a dimensão e diferenças, não são factuais — o que é outro assunto: ninguém em Portugal faz ideia do que se passa depois das pessoas se ligarem à net, só temos estatísticas de compra de serviços, estamos na idade da pedra.)

2. Qual a maior lacuna no panorama dos Social Media portugueses?

Paulo Querido: “A falta de participação.

A total ausência de informação nos mainstream media.

A fraquíssima prestação do país em termos de empreendedorismo. Os projectos portugueses que existem nesta área são TODOS de indivíduos ou pequenas startups, sem capacidade financeira. Não há mercado nem investimento nem apoio de nenhuma espécie.

3. Como prevês a evolução dos Social Media nos próximos 5 anos?

Paulo Querido: “Em cinco pontos:

1. Continuação de mais do mesmo nos EUA: nascimento de redes sociais e de serviços de redes sociais ao ritmo de dezenas por semana, com injecções de venture capital em mais de metade delas.

2. Mais aquisições por parte dos grandes conglomerados de media.

3. Os utilizadores darão os primeiros sinais de cansaço e desinteresse, porque a atenção é escassa.

4. Evolução técnica no sentido da agregação de perfis e, até, transparência de serviços (o meu perfil é o meu perfil e os meus contactos são os meus contactos, no LinkedIn, no FriendFeed ou no Hi5).

5. Maior integração do Instant Messaging no Social Media.

Muito obrigado Paulo pela tua participação. No próximo artigo irei publicar as respostas do Bruno Ribeiro, autor do PubADdict.

  • http://ruicruz.forunsbb.com Rui Cruz

    Não percebi nem fiz esforço por perceber metade do que o Paulo Disse, mas do que tive tempo pra ler… tiveste bem!

    Rui

  • http://joaomartins.entropiadesign.org João Martins

    Hugo: esta tua série de entrevistas promete. Uma questão que me parece fulcral e que acho estranho que passe um bocadinho ao lado nestas duas primeiras análises é o facto da comunidade de utilizadores ser, acima de tudo, uma comunidade de “emissores-surdos”. Ou seja, parece-me que o baixo nível de interacção, considerando a dimensão claramente inflaccionada da nossa “blogosfera”, se fica a dever à abundância de lógicas um bocado “autistas” em que andamos todos a marcar o “nosso” espaço e ficamos à espera que alguém venha interagir. Estas questões parecem atravessar partes do discurso do Paulo Querido e eu acho que era importante clarificar: genericamente, escrevemos mais do que lemos e praticamos frequentemente “conversas de surdos”.
    Por exemplo, fugindo da caixa de comentários e escrevendo-os no nosso próprio blog. 😉
    Para cair na minha própria armadilha, diria que ainda ontem escrevi sobre isto mesmo.

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  • http://www.englishtown.com.br Carina Bello

    Parabéns pela entrevista e análise, vejo nos social medias uma nova forma de se “fazer” a internet e a interação nos próximos anos, não precisamos ir muito longe, é só observar a quantidade de redes sociais em
    inglês
    que hoje já ampliaram sua versão em português

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  • vtrr

    Olá como estão, este post é simplesmente para dar a conhecer de uma situação que demonstra uma falta de carácter e de civismo por parte de Paulo querido.

    http://code-vtrr.blogspot.com/2009/10/paulo-querido-o-intruja.html