Os Social Media em Portugal – segundo Luís Santos

Um dos primeiros bloggers nacionais a aceitar o meu desafio sobre o panorama dos Social Media em Portugal, foi o Luís Santos, autor do blog Atrium – media e cidadania.

Eis as respostas do Luís:

1. Como caracterizas o panorama dos Social Media, em Portugal?

Luís Santos: “A natureza dos espaços, a fluidez das ligações e a existência errática que neles vamos tendo tornam praticamente impossível uma avaliação generalista. Além disso, uma das muitas barreiras que a auto-publicação quebrou foi precisamente a da delimitação geográfica. Assim sendo, eu diria que há indicadores de adesão mais forte a alguns formatos do que a outros e, dentro de cada formato, de adesão a uma plataforma em desfavor de outra, mas essa realidade está, em grande parte, por avaliar.

Os portugueses, sobretudo uma parte significativa dos mais jovens, organizam já a sua existência em torno de várias identidades e em fluxo permanente entre elas. Algumas serão de natureza concreta, material, mas outras não. E nada nisso é já artificial. Pelo contrário. Podem ser o João na escola, o JonnyMnemonic no Hi5, e o belezaescondida numa plataforma de blogs. E a sua própria identidade já se define na confluência de tudo isto; é multi-facetada, abertamente complexa.

2. Qual a maior lacuna no panorama dos Social Media portugueses?

Luís Santos: “(Visão abertamente parcial e distorcida da realidade) Faltam mais espaços de informação alternativa, faltam mais experiências sólidas de produção de conteúdos em partilha e discussão. Falta debate sério. Faltam espaços de expressão de cidadania responsável (que não são, note-se, arenas de reivindicação, lugares de ‘nós contra eles’).

3. Como prevês a evolução dos Social Media nos próximos 5 anos?

Luís Santos: “Ah, pois.

Há cinco anos atrás não sabia o que era o Flickr, o Facebook, a Wikipedia ou o Twitter – hoje essas são páginas que estão sempre abertas no meu browser.

É, porém, bem verdade que muito do futuro que teremos emana do futuro que imaginámos. E se eu pudesse mesmo imaginar apostaria em maior interacção entre as plataformas (mashups), em maior facilidade de uso e em maior mobilidade. Gostaria de apostar na ideia de que ‘mais’ pode ser também ‘melhor’, mas acho que essa seria para perder (como prova o mais recente estudo do Project for Excellence in Journalism na sua mais recente análise “The State of News Media”).

Muito obrigado Luís pela tua participação. No próximo artigo irei publicar as respostas do Paulo Querido, autor do Certamente!