
No âmbito da série de artigos sobre os Social Media em Portugal, que estou a publicar por estes dias, é o momento de apresentar as respostas de Bruno Ribeiro, autor do blog “PubAdDict“.
Eis as suas respostas:
1. Como caracterizas o panorama dos Social Media, em Portugal?
Bruno Ribeiro: “Acho que para responder a essa questão é necessário compartimentá-la já que o actual cenário dos Social Media em Portugal é bastante distinto consoante o meio específico que estamos a discutir.
Começando pelos blogs, penso que estamos a atingir uma altura de quase maturidade, onde a época dos blogs como última moda em que todos “tinham” de entrar passou. Acho que o panorama é agora mais calmo, mas cada vez mais rico na medida em que se começam a verificar o aparecer de discussões que em outros países (essencialmente os anglo-saxónicos) já há muito são “old news” como é o caso das relações entre empresas e blogs. Nota-se também uma maior abertura dos media tradicionais (não gosto muito do rótulo, mas serve para distinguir) aos conteúdos dos blogs e uma relação que vai sendo mais aberta, embora haja ainda muito a melhorar.
Considero curiosa a forma como os podcasts se foram implementando em Portugal, sendo que o papel das estações de rádio tem sido fundamental. São cada vez menos os programas radiofónicos que ainda não adoptaram a possibilidade de subscrição como podcasts. O mesmo se pode dizer do vídeo online, com as próprias estações de televisão a disponibilizarem grande parte dos seus conteúdos.
Penso que existe ainda um caminho longo a percorrer no que toca ao social bookmarking, ao rss e a mecanismos de pesquisa dedicados ao social media. A adopção dos primeiros dois tem sido muito lenta, estando apenas limitada ao que podemos designar de utilizadores hardcore de social media. Já no terceiro caso, a ausência de mecanismos de pesquisa portugueses dedicados é um entrave à evolução do meio, já que nos deixa dependentes do google e de outro tipo de plataformas que têm alguma dificuldade em lidar com as vicissitudes da língua portuguesa.
Só para terminar esta resposta, que já vai bem longa, há que referir o caso do Twitter que, apesar de uma maior notoriedade recente, ainda não alcançou por cá uma quota de utilizadores assinalável.”
2. Qual a maior lacuna no panorama dos Social Media portugueses?
Bruno Ribeiro: “Acho que respondi um pouco a esta questão na anterior: a falta de plataformas/serviços dedicados aos Social Media nacionais! Se queremos pesquisar optamos pelo Google/Technorati/Blogpulse; se queremos agregar as opções são o Netvibes ou Pageflakes…
Por outro lado, penso que é necessário haver mais discussão e conferências acerca do tema, não onde participem académicos que o estudem do ponto de vista da sua especialidade, mas sim com a participação de quem realmente “pertence” ao meio. Acho necessário deixar quem produz e consome Social Media regularmente falar sobre o tema.”
3. Como prevês a evolução dos Social Media nos próximos 5 anos?
Bruno Ribeiro: ”Tendo em conta as evoluções recentes, penso que dentro de 5 anos os Social Media, em Portugal, estarão implementados ao nível que hoje se pode constatar nos EUA, sobretudo aqui. Penso que a crescente maturidade do mesmo e o inevitável surgir de mais serviços especializados para o mercado português, acabarão por afirmar definitivamente estes meios como mais um canal de comunicação essencial para o meio empresarial ou político. Estou cada vez mais convencidos que os Social Media vieram para ficar, e parece-me que cada vez mais pessoas e entidades em Portugal encaram o cenário da mesma forma. Não creio no entanto que algum blog em Portugal alguma vez obtenha a dimensão necessária para ombrear com os principais jornais ou fontes de informação nacionais.”
Muito obrigado Bruno pela tua participação. No próximo artigo irei publicar as respostas do Bruno Amaral, autor do blog Relações Públicas.





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