Weblog, uma palavra com 10 anos

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Fez ontem, dia 17 de Dezembro, 10 anos que o conceito “Weblog” foi criado por Jorn Barger, a partir das palavras “web” (Internet) e “log” (registo).

No entanto, segundo Dave Winer (2002) o primeiro weblogue criado foi o primeiro web site, http://info.cern.ch/, criado por Tim Berners-Lee no CERN – European Organization for Nuclear Research. Esta página funcionava como um apontador, no qual Tim Berners-Lee referenciava os novos web sites que iam surgindo na World Wide Web. Felizmente o conteúdo deste web site foi arquivado pelo World Wide Web Consortium em http://www.w3.org/History/19921103-hypertext/
hypertext/WWW/News/9201.html
.

Posteriormente em 1993 surgiram as páginas “What’s New” do NCSA – National Center for Supercomputing Applications (http://archive.ncsa.uiuc.edu/SDG/Software/Mosaic/
Docs/old-whats-new/whats-new-0693.html
), e da Netscape, que seria o maior blogue no ar entre 1993 e 1996 (http://wp.netscape.com/home/whatsnew/). Nestas duas páginas “What’s New” já podemos encontrar duas características principais dos weblogs, a datação das entradas e a sua colocação por ordem inversa.

Em 1996 e 1997 surgem os primeiros blogues pessoais como o Scripting News de Dave Winer, o Robot Wisdom de Jorn Barger, o Tomalak’s Realm ou o CamWorld.

Em 1999, de acordo com Rebecca Blood (2000), existiam 23 weblogues referenciados. Nesse mesmo ano, numa altura em que a comunidade de blogues começava a aumentar, Peter Merholz defendeu que se deveria pronunciar “wee-blog”, por se tratar de um meio para comunidades. Este acontecimento acabou por conduzir à utilização “abreviada” da palavra “blog” e à referência do seu editor como o “blogger”.

Em Portugal, tanto se utiliza a grafia “weblogue” como “blogue”, sendo os seus editores apelidados de “blogueiros” ou “bloguistas”.

A partir de 1999, o número de weblogues foi aumentando cada vez mais, sobretudo graças ao aparecimento de novas ferramentas de publicações de conteúdos, como o “blogger” da Pyra, que permitiram que qualquer pessoa, sem ter necessidade de quaisquer conhecimentos de HTML, pudesse ter o seu próprio blogue na “World Wide Web”. Tal como refere Recuero (2003) “O conhecimento da linguagem HTML era uma barreira constante para o aumento do número de usuários, que só foi quebrada com o surgimento das ferramentas dos sistemas baseados na Web, como o Blogger e o Groksoup, lançados pela Pyra em Agosto de 1999.

De acordo com José Luis Orihuela (2007), é possível estabelecer três grandes épocas na história dos blogues, o “início” entre 1992-1999, período a que já nos referimos anteriormente, a “expansão“, entre 2000 e 2004, na qual se dá um enorme crescimento graças sobretudo ao aparecimento do Blogger e que culmina com a declaração do termo “weblog“, como palavra do ano pela Merrian-Webster e a “desmistificação“, em 2005 e 2006, período em que os meios de comunicação tradicionais passaram “a reconhecer o potencial das novas formas de comunicação públicas, que surgiram associados aos chamados meios sociais”, como os blogues“.

Segundo Blood (2000), os blogues originais eram um misto de links, comentários e pensamentos pessoais/ensaios. Com a entrada em cena do Blogger, em 1999, começaram a aparecer inúmeros blogues, actualizados várias vezes por dia, cujo tema central não eram os pensamentos do “blogueiro”, mas sim algo que ele tinha reparado no seu local de trabalho, notas sobre o seu fim-de-semana ou, por exemplo, reflexões sobre um determinado assunto. Os links dentro dos blogues levavam-nos para outros blogues, nos quais havia alguma referência ao tema abordado ou nos quais existia simplesmente também um link para o blogue de partida.

Bibliografia:

Nota: grande parte do conteúdo deste artigo provêm do primeiro esboço da minha dissertação de mestrado sobre o impacto dos blogues na Web em Portugal, que se encontra de momento suspensa, de acordo com o post “Relato dos últimos meses“.