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Mini-inquérito sobre a Sociedade de Informação

Na semana anterior à ida para a LIFT, fui contactado pela jornalista Nídia Silva da revista Media XXI, solicitando-me que respondesse a um mini-inquérito sobre a temática da Sociedade de Informação, a ser publicado no número do mês de Fevereiro

Eis as minhas respostas ao mini-inquérito, que poderá encontrar no número de Fevereiro da revista Media XXI:

1) Quais os principais entraves actuais à prossecução de uma verdadeira Sociedade da Informação em Portugal?
No meu entender, existem vários entraves para a prossecução de uma verdadeira Sociedade da Informação em Portugal. A Sociedade da Informação é um conceito que se usa amiúde, mas que julgo que ainda ninguém explicou correctamente aos portugueses, em geral, e aos empresários, em particular, do que se trata. A Sociedade da Informação não consiste apenas na massificação da utilização da Internet, quer se trate de banda estreita ou banda larga.

Na minha perspectiva um dos principais entraves à Sociedade de Informação em Portugal, é o grau de iliteracia dos portugueses, tanto a iliteracia tradicional, como a iliteracia informática. De acordo com dados de 2004, apenas 41 % dos agregados familiares possuem um computador e apenas 26% têm acesso à Internet, o que se traduz no facto de apenas 43% da população portuguesa seja utilizadora da Internet.

A qualidade do ensino em Portugal, sobretudo do Ensino Secundário, por norma caracterizado por ser pouco exigente, que não premeia os bons alunos, associado ao acesso ao Ensino Superior baseado num sistema de “Numerus Clausus”, no meu entender totalmente ultrapassado, e um modelo de financiamento das Universidades totalmente desajustado da realidade é igualmente um entrave à Sociedade de Informação.

No contexto empresarial, a utilização das novas tecnologias está longe de ser uma realidade efectiva. Segundo os dados do Inquérito à Utilização das Tecnologias da Informação e da Comunicação nas Empresas de 2004, apenas 50% das empresas com actividade económica tinham acesso à Internet através de Banda Larga. No entanto, mais grave é que de acordo com o mesmo estudo, apenas 30% das empresas portuguesas marcavam presença na Internet.

Do mesmo modo, são raras as empresas portuguesas que investem verdadeiramente em Investigação e Desenvolvimento (I&D ou R&D), de forma a poderem aumentarem a sua competitividade internacional, através da melhoria da qualidade dos seus produtos ou através da introdução de produtos/serviços inovadores no mercado.

Também as relações/parcerias entre as empresas e as Universidades, onde nos últimos anos temos assistido ao aparecimento de excelentes centros de competências, como nos casos do Instituto Superior Técnico, da Universidade Nova de Lisboa ou da Universidade de Aveiro entre outras, têm sido uma excepção.

Por último, um dos maiores entraves à existência de uma verdadeira Sociedade de Informação em Portugal é a complexidade burocrática e morosa da Administração Pública, que necessita de reformas urgentes.

2) Que papel deve desempenhar o poder político, central e local, de forma a promover condições para que os portugueses possam tirar partido das tecnologias de informação e comunicação?
Na minha perspectiva, o poder político, seja ele central ou local, tem um papel crucial a desempenhar de forma a combater a info-exclusão.

Antes de mais, o poder político deve desenvolver iniciativas que facilitem o acesso às tecnologias de informação e comunicação, como sejam, a existência de acesso à Internet em Banda Larga, em quase todo o país, os benefícios fiscais para a compra de computadores ou apoiar projectos de produção de conteúdos portugueses.

Por outro lado, o poder político deverá também levar a cabo projectos que ensinem crianças e adultos a tirar o máximo partido das novas tecnologias, quer seja através da introdução das tecnologias de informação e comunicação nas escolas, como no caso do projecto Escolas Navegadoras, ou através de bolsas de formação para adultos.

3 ) O Plano Tecnológico pode ser uma medida estrutural importante numa gradual disseminação da Sociedade de Informação?
Apesar de não conhecer em pormenor o Plano Tecnológico, julgo que sim. A avaliar pelas iniciativas anunciadas e pelo empenho do actual governo, esta pode ser uma medida estrutural importante para a Sociedade da Informação se tornar uma realidade em Portugal.

No entanto, penso que  falta uma visão estratégica ao Plano Tecnológico, que integre as várias iniciativas dos 3 eixos (Eixo 1 - Incremento qualificado dos níveis de conhecimento dos portugueses, Eixo 2 - Vencer o atraso Científico e Tecnológico, Eixo 3 - Imprimir novo impulso à inovação). Do mesmo modo, a maioria das iniciativas parecem-me muito abstracta, sem referência a quaisquer objectivos quantitativos.MediaXXISociedade da InformaçãoConhecimentoNovas Tecnologias

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Sabine

15.03.2006, @ 9:49 pm

Comprei a revista e já li.
Parabens!

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SN

15.03.2006, @ 11:42 pm

Fiquei curioso com a afirmação “sistema de ‘Numerus Clausus’, no meu entender totalmente ultrapassado”. Que modelo sugeres como alternativa?

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Carlos Jorge Andrade

15.03.2006, @ 11:49 pm

Eh eh, aparecemos na mesma revista. Mas não tive direito a foto… :->

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Hugo

16.03.2006, @ 12:19 pm

Caro(a) SN
No meu entender, os políticos tem de saber analisar a realidade e promover as alterações necessárias que permitam melhorar as condições dos cidadãos, e, neste caso concreto, das condições de acesso à Educação.
Há vários anos que excelentes alunos, com médias de 17 e 18, não têm acesso ao curso que pretendem.
É inconcebível que um aluno com média de 18 (como já chegou a acontecer), não consiga entrar em Arquitectura, numa Universidade Pública e tenha de ir para Universidade Privada. Não terão estes alunos, o mesmo direito de estudar numa Universidade Pública do que alunos que entram noutros cursos com médias mais baixas?
Acho que se poderia equacionar um modelo semelhante ao que existe actualmente na Suiça, no cantão francês (salvo erro), onde fosse definida uma média de entrada para cada curso. Todos os alunos com média superior a essa média deveriam poder entrar para o 1.º ano dos cursos pretendidos. Ao final do 1.º ano, os melhores alunos poderiam prosseguir os seus estudos.
Será que não seria mais justo?

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SN

16.03.2006, @ 12:55 pm

Os problemas são fáceis de enumerar. O mais complicado é encontrar soluções equilibradas. Na solução proposta parece-me que há um grande problema com o facto dos recursos serem limitados. Não sei como seria possível aceitar um qualquer número de alunos, sendo que o número total de salas e de professores e de equipamentos é sempre o mesmo…

Por outro lado, acho que os Numerus Clausus funcionam como regulador do mercado. Pegando exactamente no mesmo exemplo, já não temos arquitectos que cheguem?

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Hugo

16.03.2006, @ 2:36 pm

Caro (a) SN
Percebo a sua posição e as questões que coloca. No entanto, se ler a última frase do penúltimo parágrafo, verá que as questões dos recursos serem limitados e do facto de os Numerus Clausus funcionarem como reguladores de mercado, poderia estar salvaguardada pelo facto de apenas os melhores alunos do 1.º ano, puderem efectivamente continuar no curso pretendido.

Não será mais justo avaliar um aluno, com base no seu 1.º ano do ensino superior específico no curso que pretende prosseguir, do que com base numa média do ensino secundário generalista, e das notas de um ou 2 exames nacionais?

Provavelmente terá razão, e provavelmente já temos no mercado de trabalho português demasiados arquitectos. Porém será que também temos médicos que cheguem? Medicina é, tal como Arquitectura, um dos cursos com médias mais altas, e onde os numerus clausus são aplicados. Será que é preferível termos portugueses a estudar Medicina em Espanha e em Praga e recrutarmos médicos espanhóis?

Além disso… existem outros cursos, cujo mercado de trabalho está muito mais saturado, e em que a média de entrada é muito mais baixa. Onde está o papel regulador dos “Numerus clausus” nestes cursos?

Deixe-me esclarecer que eu não defendo que todos os estudantes que querem estudar Medicina, por exemplo, possam entrar em Medicina, independentemnte da sua média. Eu defendo que um estudante no início do secundário, 10.º ano, deve saber qual a média de entrada no seu curso. Por exemplo, imaginemos o caso de um estudante quer entrar em Medicina, em Lisboa, por exemplo. Se previamente souber que a média de entrada é 17, sabe que durante 3 anos tem de lutar por ter no mínimo essa média, mas que se conseguir, entrará de certeza.

No exemplo que eu conheço de uma estudante de Arquitectura, apesar de ela ter mais de 18,5 de média de entrada, como nesse ano a média de entrada (com base no numerus clausus existente) subiu, ela teve a infeliz surpresa de não ter conseguido entrar. Será que faz sentido, por exemplo, alunos com médias superiores a 18, não entrarem directamente nos cursos que pretendem, pelo menos acedendo ao 1.º ano.

Caso o número de alunos que conseguisse entrar mediante este sistema, ultrapassasse a capacidade da escola, seria preferivel equacionar a realização de entrevistas, de forma a seleccionar os alunos com mais vocação para o curso em causa, do que ter uma regra cega.

Por último, esta questão não pode ser dissociada do modelo de financiamento das Universidades, que deveria ser sujeito a sérias mudanças.

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ikop

04.07.2006, @ 12:31 am

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14.09.2006, @ 7:59 pm

antes d mais congratulo o criador do site, pois está excelente
este foi o unico meio de eu conseguir transmitir a minha revolta contra a forma como as médias nu secundário sao feitas
no passado anu lectivo fui studante do 10º anu, e consegui uma media de 17.8 valores, tendo tido eu mt boas notas, 18’s, e 19’s, tendo tirado apenas um 17, seria d esperar uma media d 18 pelo mns mas com nota d 15 e.fisica, desci mt a minha media, o meu maior sonho é ser medica e cm e.fisica k n tem kk logica fazer parte da média para ke ker entrar neste tipo d cursos, n poderei entrar nu curso k desejo, pois é m dificil subir nota de e.fisica, é um perfeita estupidez este sistema d calculo
mudem isto pf
ou entao eu terei d ir estudar para espanha
com a media alta k tenhu entarei d xertexa uma vex k a media d entrada é um absurdo

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charles.nagar@hotmail.com

14.10.2006, @ 5:17 pm

Olá a todos.
Gostaria que me informassem acerca de universidades de medicina alternativas às mais conhecidas por nós,portugueses (tais como as de portugual, as de espanha e as da Républica Checa)

Já li e ouvi falar de faculdades de medicina em Malta,e até mesmo nas Cayman Islands ( Ilhas Caimão ) , e o que eu vos pedia era que me dessem informaçoes sobre estas e sobre outras que achem ser uma boa opção secundária:digo isto porque a minha média nao é famosa,14 ou 15
(presentemente encontro-me a completar o 12ºano no ensino recorrente numa escola pública, pois nao o acabei devido à maldita Matemática).

As informaçoes que eu mais requesito são acerca da compatibilidade de exercer em Portugal, e como se entra(medias, exames de admissão, preços,etc.) nessas faculdades.
Nesta minha condição, o prestígio do establecimento nao me importa, pois o que importa para mim é seguir um sonho, ainda que tenha acordado tarde,para grande infelicidade minha.

Agradeço desde já àqueles que tiverem a gentileza e disposição de me facultar respostas. Podem me endereçar e/ou adicionar no Messenger para o email: charles.nagar@hotmail.com

Obrigado, e boa continuação.

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Jake Igle

06.11.2006, @ 10:08 pm

God bless this world

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Qwer Ungu

12.12.2006, @ 2:31 pm

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zycyql

18.12.2006, @ 1:07 am

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