LIFT06 – 1.º dia

Antes de mais, devo dizer que este post vai ser unicamente em português. Em mais de 300 participantes, já existem muitos a escrever em inglês, pelo que dada a reduzida presença portuguesa, é mais que justo relatar este evento em língua portuguesa.

A minha primeira nota tem de ser obrigatoriamente para a organização deste evento, liderada pelo Laurent. Até ao momento a organização tem sido excelente. O CICG é um espaço bastante acolhedor. Ao contrário do frio que faz nas ruas de Genebra, o CICG tem uma temperatura bastante agradável, o que nos permite guardar os casacos num cabide, num roupeiro, sem qualquer vigilância (algo impensável em Portugal, não?). À chegada, hoje de manhã, após o “check in”, tínhamos à nossa espera café, sumo de laranja, “croissants” e “pain au chocolat” oferecido por um dos patrocinadores do evento, algo bastante agradável depois de despertar de madrugada às 06h50 – hora local, 05h50 – hora portuguesa. O auditório da conferência é, na realidade, constituído por 2, que nas sessões paralelas é dividido por uma parede que sobe do chão até ao tecto, dividindo por completo os espaços. O acesso à Internet “wireless” funciona perfeitamente bem, com uma velocidade perfeitamente aceitável para a quantidade de pessoas presentes na sala. Por último em relação à organização, tenho de elogiar o excelente almoço que tivemos, também no CICG, para o qual a senha era uma diskete (diferente, não?).

 

Em relação à conferência, foi um 1.º dia agradável com algumas ideias interessantes. Eis as minhas principais notas em relação às sessões que assisti.

 

Bruno Giussani: Keynote
No meu entender foi uma óptima sessão para dar início aos trabalhos. Basicamente a apresentação de Bruno Giussani foi uma caracterização do contexto em que vivemos actualmente. Desta sessão retive um facto interessante, “Existem 4 vezes mais assinantes de telemóveis em África do que telefones fixos” e uma ideia /sugestão (de acordo com as suas palavras não original) de actualizar a pirâmide de Maslow, passando esta a ter apenas 3 níveis:

Connectivity – no topo
Shelter – nível médio
Food/water – na base

 

David Galipeau: Consumerism Vs. Activism
Numa apresentação graficamente diferente, mas igualmente apelativa, David Galipeau apresentou-nos uma série de informação sobre como diferentes tipos de organizações (por exemplo, partidos, ou organizações não governamentais, entre outras) devem ter diferentes campanhas electrónicas, uma vez que os seus objectivos também são diferentes.

 

Jean-Luc Raymond: Bridging the Digital Divide
Era uma das sessões em que tinha algum interesse particular. Infelizmente a sessão não correspondeu minimamente às minhas expectativas. O facto do Jean-Luc Raymond não ter usado qualquer suporte multimédia de apoio, associado ao facto de o seu inglês não ser muito perceptível, fez com que não tivesse conseguido compreender a sua mensagem.
No entanto, eis as duas principais ideias que retive dele:
1. a questão não deve ser, se as pessoas têm ou não computador, ou se têm acesso a um computador, ou ainda se têm conectividade, o importante é se as pessoas sabem usar a tecnologia para seu benefício;
2. as crianças que nascem actualmente são “digital native”, enquanto nós somos “digital immigrant”.

 

Paul Oberson: Technology uses in the humanitarian world
Uma sessão sobre a forma como a tecnologia pode ser utilizada em acções humanitárias e a importância do modelo actual passar a estar centrado na dispersão da informação, dificultando o controlo de quem tem o poder.

 
De seguida, e antes do almoço, seguiram-se 2 sessões diferentes, em que a Amnistia Internacional e Matteo Penzo tinham por objectivo convencer os participantes a almoçarem com eles.
A Amnistia Internacional falou sobre Web2.0 Mashups and Human Rights, enquanto Matteo Penzo falou sobre uma nova solução, chamada “Flash Voice”, destinadas às pessoas com deficiências ou com necessidade especiais (o que, segundo o próprio, acaba por incluir toda a gente, em alguns períodos do dia, quando estamos a andar e não podemos olhar para o nosso smartphone, enquanto navegamos na Internet, etc)

 

Cory Doctorow: Digital Rights Management
O período da tarde não poderia ter começado melhor. Cory Doctorow presenteou a audiência com uma excelente sessão sobre os direitos de autor, na era digital, sem recurso a qualquer apoio multimédia. No entanto, graças ao seu humor e aos vários exemplos que foi dando, consegui prender a atenção da audiência. Eis alguém que não conhecia e que vou passar a seguir atentamente, inclusive descarregando o livro dele.

 

Bruce Sterling: Spimes and the future of Artifacts driven
O melhor resumo para esta sessão, é dizer-vos que Bruce Sterling é um escritor de ficção científica, autor da palavra Spime e que foi uma intervenção muito divertida e rica em trocadilhos e palavras novas derivadas do contexto actual.

 

De seguida, houve o único painel do dia, com Anina, Kelly Richdale, Beth Krasna, e moderado por Bernard Rappaz, sobre o tema “Women and/in Technology”, por vezes demasiado feminista.

 

Marc Besson: Identity (R)evolution
A seguir ao “Zen Moment” (ou seja, uma pequena pausa), a 2.ª fase de sessões paralelas começou com uma apresentação de Marc Besson sobre a (r)evolução da identidade. Basicamente ele abordou aspectos relacionados com a evolução do conceito da identidade, desde a “identidade 0.0”, a nossa identidade física, a “identidade 1.0”, um modelo determinado pelos serviços que utilizamos até à “identidade 2.0”, um modelo centrado nos utilizadores.

 

Stefano Mastrogiacomo: Organizational Design
Uma sessão muito curiosa sobre os desenhos organizacionais e sobre a gestão integrada por objectivos. 15 minutos que acho que deveriam ser ouvidos por muitos gestores privados e sobretudo gestores públicos.

 

Stefana Broadbent: The specialization of communication channels
A última sessão do dia, foi para mim a sessão mais interessante. Na sua apresentação, Stefana Broadbent falou-nos de um estudo recente sobre a forma como os suíços utilizam os principais canais, telefone fixo, telemóvel, SMS, E-mail e Instant Messaging.
Eis uma citação que resume a sua apresentação:

“SMS is to tell you I miss you, E-mail is to organize our dinner, Voice is to say I’m later and IM is to continue our conversation.

 

Esperemos que o dia de amanhã seja tão interessante como o de hoje.

 

Uma nota final para o Pedro e o André, que até hoje não conhecia pessoalmente, e que foram uma excelente companhia.

P.S.: Eu gostava de partilhar convosco um resumo mais alargado de cada sessão, mas se assim já parece um testamento, imaginem como seria a versão longa. 😉 LIFT06

Bon jour

Je suis à Genève pour attende à LIFT.

I’m in Geneva for LIFT.

Já estou em Genebra para assistir ao LIFT. 

 

Sorry for the photos quality, but my digital camera doesn’t work. As so, I only can show photos from my mobile.

Peço desculpa pela qualidade das fotografias, mas a minha máquina fotográfica digital não quer trabalhar. Assim, apenas posso partilhar convosco algumas fotos tiradas com o meu telemóvel.

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