Voto electrónico

Nas últimas eleições legislativas, por não estar recenseado na minha área de residência e ter que me deslocar mais de 150 Kms para votar, acabei por me abster.

Para mim, a solução ideal para uma situação deste tipo poderia passar por uma destas 3 hipóteses:

  • A existência de uma base de dados central com todos os recenseados, no mínimo associado à existência de algumas mesas de voto, na qual eu pudesse cumprir o meu dever cívico num tradicional boletim de voto;
  • A existência de um sistema de votação electrónico, que me permitisse através de um cartão magnético e da prova da minha identidade, votar electronicamente em qualquer mesa de voto em Portugal;
  • A possibilidade de através da prova da minha identidade nas Juntas de Freguesia, ou outra qualquer entidade pública, ter acesso a uma palavra passe semelhante à da DGCI, que me permitisse votar via Internet, num Website certificado.

Pelo que tenho conhecimento, já foram feitas algumas experiências de voto electrónico em Portugal, paralelos à tradicional votação em urna. No entanto, infelizmente, não acredito que esta venha a ser uma realidade nos tempos mais próximos, devido ao pouco empenho dos nossos governantes e, sobretudo, à iletracia existente no nosso país.

Felizmente, já existem experiências mais avançadas noutros países da União Europeia, como o Reino Unido, onde já foram testados sistemas alternativos interessantes, como o voto via Internet, sms ou mesmo TV Digital.

Quem sabe, se os desenvolvimentos desta experiência, por terras de Sua Magestade, não poderão contagiar os nossos governantes a adoptar medidas mais práticas e ambiciosas para a implementação de novas soluções que permitam o exercício da democracia, em qualquer lado.

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  • O problema com o voto electrónico (exclusivamente electrónico) é que os bits são facilmente alteráveis sem deixar qualquer vestígio. Assim, qualquer sistema que não deixe uma prova do voto expresso num formato que o votante possa controlar e que possa ser usado para posterior recontagem dos votos não é, para mim, uma opção.

    Em relação às opções colocadas:

    1. totalmente a favor
    2. a favor se em conjunto com o voto electrónico fosse impresso um boletim de voto com a freguesia do votante e o voto, que seria colocado numa urna (poderia implicar a perda de confidencialidade do voto, se o sistema de contagem de votos fosse mal implementado)
    3. totalmente contra
  • HNS
    Caro JLP
    Infelizmente a possível compra/venda de votos que refere em relação à 3.ª hipótese pode ser realmente um problema. Provavelmente terá de se tentar descobrir uma qualquer solução para resolver este problema. Como se processa o controlo dos votos por correio, existente nalguns sistemas?

    Mas realmente, também já ficava satisfeito se podessemos votar presencialmente em qualquer assembleia de voto.
  • JLP
    O problema da terceira hipótese é que permite na prática, e por o voto deixar de ser presencial, o estabelecimento de um mercado de compra/venda de votos.

    Outro requisito também comum na especificação de processos de votação electrónica é o de uma pessoa poder verificar se o seu voto foi tido em conta durante a contagem.

    Eu por mim ficava satisfeito com a votação presencial em qualquer assembleia de voto, com o imprescindível "paper trail" (e de preferência com software livre e auditável), e usando como identificação o cartão de identificação único cuja implementação está em curso.
  • HNS
    Caro João
    Confesso que não conhecia o website que referiu, nem a existência de um programa específico para o "voto electrónico".
    Honestamente, espero que o, agora, Secretário de Estado, José Magalhães, depois de ter assistido à apresentação de Paul Docker, do Departamento de Assuntos Constitucionais do Reino Unido, reconsidere na sua tomada de decisão e avança em frente, sem medos.
  • joao
    Ja visitou http://www.votoelectronico.pt/ ?

    O programa estava a ser levado a cabo pelo anterior governo para permitir exactamente que qualquer eleitor pudesse exercer o seu direito em qualquer mesa de voto no pais.

    O "ciber-deputado" Jose Magalhaes, agora no poder, achou q isto era moderno demais e q nao podia ser e tudo parou...
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