Os blogues na Sociedade do Conhecimento

De acordo com os principais especialistas na matéria, economistas, sociólogos, psicólogos, gestores de recursos humanos, entre muitos outros, vivemos cada vez mais na sociedade da informação e mais recentemente na sociedade do conhecimento. Neste sentido, é portanto natural que no mais recente paradigma organizacional, um dos recursos mais importantes numa organização seja o conhecimento, na minha opinião, o conhecimento de cada trabalhador.

Assim sendo, quando alguém na qualidade de empregador pretende contratar um novo elemento para a sua organização, já não se pode limitar a questionar as habilitações literárias e a experiência profissional de um determinado candidato, mas no meu entender, deverá poder aferir os conhecimentos desse mesmo candidato. Um blogue tem todas as características ideais para ser um espaço no qual um candidato pode demonstrar os seus conhecimentos profissionais a potenciais empregadores, e simultaneamente transmitir a mensagem de que é uma pessoa interessada em se manter constantemente actualizada, uma vez que só dessa forma, é possível manter um blogue actualizado com o mínimo de frequência aceitável.

Paralelamente ao demonstrar as principais capacidades de um determinado indivíduo e os seus conhecimentos, pode-se ser confrontado com novas oportunidades profissionais, veja-se o caso de Pedro Mexia, que a partir dos blogues passou para, salvo erro, cronista do Diário de Notícias, ou o caso mais notório, o enorme sucesso dos Gato Fedorento na Sic Radical, que tiveram origem no blog (gatofedorento.blogspot.com), entre outros exemplos não conhecidos da opinião pública.

No caso específico do jornalismo, não tenho qualquer dúvida que é daquelas áreas, onde, um blogue é um espaço onde facilmente um indivíduo pode demonstrar o seu valor, sobretudo quando se está desempregado, sem nada que lhe ocupe o dia.

Porém, esta ideia dos blogues enquanto potenciadores de novas oportunidades profissionais não se restringe ao jornalismo. Outros sectores, como novas tecnologias, marketing, design, arquitectura, entre muitos outros sectores nos quais o conhecimento seja um factor diferenciador importante, podem ser sectores nos quais os blogues poderão proporcionar novas oportunidades profissionais, ou no mínimo servirem como características para desempate na luta por uma vaga numa organização, uma vez que a partilha de conhecimento, de novos dados, novas descobertas ou avanços podem ser demonstrativos das capacidades, dos conhecimentos ou da procura constante por informação, crucial na actual sociedade da informação.

Em Portugal, esta realidade ainda não se verifica, porém quem sabe num futuro próximo…

  • S.

    Porque é que, hoje em dia e em Portugal, um blogue serve para tudo?

    Neste caso em que medida um blogue é mais interessante do que os clássicos “currículos” ou “portfólios”?

    “When all you have is a hammer, every problem looks like a nail.”

  • http://blog.lisbonlab.com Hugo Neves da Silva

    Caro(a) S.

    1.º Ao contrário do que questiona no 1.º parágrafo do seu comentário, não sou da opinião que os blogues sirvam para tudo. Porém acredito que estes podem ser uma mais valia em diversas áreas, como nos casos que referi no meu post.

    2.º De acordo, com a pesquisa que tenho realizado nos últimos meses, acredite que a blogosfera portuguesa é muito verde, comparada com a realidade existente noutros países, como os países nórdicos, Reino Unido, Estados Unidos da América, Coreia do Sul, entre muitos outros.

    3.º Ao contrário do que questiona no 2º parágrafo, em nenhum lado no post que comenta se afirma que um blogue é mais interessante que um currículo ou um portfólio tradicional. Simplesmente afirmo que os blogues são um óptimo suporte para as pessoas poderem demonstrar os seus conhecimentos, algo que não é possível nos curriculos e que apenas é possível nos portfólios, para algumas actividades profissionais.

  • LM

    Mas porque é que os blogues não hão-de servir para tudo? Não é hoje em dia nem em Portugal. Sempre foi assim em todo o lado. Chama-se liberdade, ou o que é.

  • http://omeubebe.blog.com João

    Tens toda a razão. O caminho será esse. Os blogs vão ainda conhecer vastas aplicações.

  • http://blogtese.blogspot.com Mónica

    Sinto uma atracção especial por comentários anónimos e não resisti ao primeiro comentário aqui colocado.

    Quando o anónimo cita “When all you have is a hammer, every problem looks like a nail.” devia referir-se a “When you have a hammer, everything looks like a nail” (Beukelman, 1987, disponível em http://dx.doi.org/10.1080/07434618712331274329 )

    Serve isto como forma de ilustrar funcionalidades que os blogs permitem que os clássicos “currículos” ou “portfólios”, tal como o anónimo refere, não permitiam. Ou seja, a possibilidade de confrontar, acrescentar, discutir ou relacionar, questões que sejam pertinentes para, por exemplo, actores ou intervenientes interessados em temáticas que se tocam, possibilitando estabelecer pontes com trabalhos de outras pessoas, em tempo útil (peço desculpa pelo meu atraso), porque elas (as que mantêm blogs) as tornam visíveis, com caracter sistemático.

    Quanto ao “Porque é que, hoje em dia e em Portugal, um blogue serve para tudo?” talvez consiga encontrar resposta a nível global (i.e http://scholar.google.com/scholar?q=weblog+uses) e depois desejar que, de entre as diversas possibilidades existentes, elas fossem mais praticadas em Portugal.

    Talvez, em parte, a fraca utilização de weblogs no contexto organizacional, em Portugal, se deva a pessoas anónimas que ocupam lugares de topo dentro das organizações mas que detêm o poder de as poder deixar implementar, ou estudar (consoante a instituição em que o anónimo comentador se encontre).

    Se pretender gastar alguns minutos, deixo-lhe o convite para ir visitar algumas das publicações relacionadas com a utilização dos weblogs no contexto organizacional, bem como exemplos de práticas já existentes por todo o mundo, em: http://b2ob.blogspot.com

    Agradeço esta oportunidade e aproveito para dar os parabéns ao Hugo pelas reflexões que aqui tem feito e que em muito têm contribuído para as minhas próprias reflexões.

    Obrigada,

    Mónica

  • Pingback: experian credit

  • http://blogtese.blogspot.com/ Mónica

    Sinto uma atracção especial por comentários anónimos e não resisti ao primeiro comentário aqui colocado.

    Quando o anónimo cita “When all you have is a hammer, every problem looks like a nail.” devia referir-se a “When you have a hammer, everything looks like a nail” (Beukelman, 1987, disponível em http://dx.doi.org/10.1080/07434618712331274329 )

    Serve isto como forma de ilustrar funcionalidades que os blogs permitem que os clássicos “currículos” ou “portfólios”, tal como o anónimo refere, não permitiam. Ou seja, a possibilidade de confrontar, acrescentar, discutir ou relacionar, questões que sejam pertinentes para, por exemplo, actores ou intervenientes interessados em temáticas que se tocam, possibilitando estabelecer pontes com trabalhos de outras pessoas, em tempo útil (peço desculpa pelo meu atraso), porque elas (as que mantêm blogs) as tornam visíveis, com caracter sistemático.

    Quanto ao “Porque é que, hoje em dia e em Portugal, um blogue serve para tudo?” talvez consiga encontrar resposta a nível global (i.e http://scholar.google.com/scholar?q=weblog+uses) e depois desejar que, de entre as diversas possibilidades existentes, elas fossem mais praticadas em Portugal.

    Talvez, em parte, a fraca utilização de weblogs no contexto organizacional, em Portugal, se deva a pessoas anónimas que ocupam lugares de topo dentro das organizações mas que detêm o poder de as poder deixar implementar, ou estudar (consoante a instituição em que o anónimo comentador se encontre).

    Se pretender gastar alguns minutos, deixo-lhe o convite para ir visitar algumas das publicações relacionadas com a utilização dos weblogs no contexto organizacional, bem como exemplos de práticas já existentes por todo o mundo, em: http://b2ob.blogspot.com

    Agradeço esta oportunidade e aproveito para dar os parabéns ao Hugo pelas reflexões que aqui tem feito e que em muito têm contribuído para as minhas próprias reflexões.

    Obrigada,

    Mónica